Presidente de ONG investigada na Farra do INSS já foi condenado por caixa 2 eleitoral
Abraão Lincoln, líder da CBPA, utilizou conta de funcionária como "laranja" para receber valores não declarados na eleição de 2014
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O presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, uma das entidades investigadas na Farra do INSS, já foi condenado por caixa 2 eleitoral em agosto deste ano. Durante sua candidatura a deputado federal pelo Rio Grande do Norte em 2014, ele utilizou a conta bancária de uma auxiliar de secretária subordinada a ele para movimentar valores não declarados à Justiça Eleitoral.
A investigação, que teve origem na Operação Enredados da Polícia Federal, descobriu que um filho de Abraão sacava o dinheiro da conta da funcionária, e que a esposa do aposentado também fez depósitos na mesma conta. Segundo o Ministério Público Eleitoral, um policial militar repassou R$ 86 mil à conta "laranja", sem conseguir explicar a transferência quando questionado.
Histórico criminal e atuação na Farra do INSS
Abraão Lincoln já foi preso em duas ocasiões distintas: em 2015, como líder de uma organização criminosa que atuava junto ao extinto Ministério da Pesca e Aquicultura; e em novembro de 2024, pela CPMI do INSS, por falso testemunho. Na última prisão, ele teria mentido sobre conhecer o tesoureiro da CBPA, Gabriel Negreiros – que é padrinho de seu neto.
A CBPA, criada em 2020, conseguiu cadastrar 757 mil associados até 2025, movimentando R$ 221,8 milhões em descontos de benefícios do INSS. Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a entidade não tem estrutura para atender esse volume de pessoas – funciona em uma pequena sala comercial em Brasília com apenas uma funcionária, que trabalha cerca de duas horas por dia.
Esquema de filiações em massa
A CGU suspeita que a confederação tenha contratado uma empresa de telemarketing para buscar filiações, prática vedada pelo acordo de cooperação com o INSS. Para atingir o número de descontos registrados, a entidade teria que ter incluído 17,76 descontos por minuto, o que a controladoria considerou "improvável" de ter sido feito dentro da legalidade.
A investigação também revelou que a CBPA solicitou mais de 40 mil vezes a inclusão de descontos em benefícios de pessoas já falecidas. Dos 215 mil aposentados e pensionistas que reclamaram dos descontos, 99% afirmaram não ter autorizado a entidade a fazer as deduções.
A CBPA é uma das entidades no centro do escândalo da Farra do INSS, revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, que levou à demissão do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.