31 de julho de 2025
recorde histórico

Alta dos carros zero impulsiona boom dos seminovos no Brasil

Com avanço do trabalho por aplicativos, mercado de usados deve superar 18 milhões de vendas em 2025

Por Redação
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Venda de usados na Avenida Intendente Magalhães, em Vila Valqueire, na Zona Norte do Rio - Foto: Marcelo Theobald

A venda de veículos usados no Brasil vive um momento sem precedentes e caminha para fechar 2025 com um novo recorde histórico. A estimativa da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) é de que mais de 18 milhões de carros sejam negociados até o fim do ano, crescimento de 15% em relação a 2024.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que, atualmente, para cada automóvel zero quilômetro vendido no país, outros 5,4 usados são comercializados — proporção maior que a registrada no ano passado, quando era de 4,6 para 1.

O destaque do mercado é o segmento de seminovos, formado por veículos com até três anos de fabricação. As vendas desse grupo cresceram 40% nos 11 primeiros meses de 2025. Até a segunda semana de dezembro, 17,9 milhões de carros usados já haviam sido vendidos no país, sendo 3,3 milhões seminovos — o maior volume desde o início da série histórica da Fenauto, em 2012.

Segundo representantes do setor, o aumento da demanda está diretamente ligado ao encarecimento dos veículos novos, aos juros elevados e à expansão do trabalho por aplicativos. Motoristas de transporte por app e entregadores passaram a buscar carros mais novos, com menor custo de manutenção, para atuar tanto no transporte de passageiros quanto na logística do comércio eletrônico.

Levantamento da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) mostra que o número de motoristas cadastrados nas plataformas Uber e 99 cresceu 35% entre 2022 e 2024, chegando a 1,72 milhão. A tendência, segundo a entidade, segue em expansão.

Especialistas apontam ainda que fatores como menor depreciação, seguro mais barato, ausência de custos como emplacamento e financiamentos mais acessíveis tornam os seminovos mais atrativos. Modelos populares usados chegam a custar até 28% menos que a versão zero quilômetro, conforme a tabela Fipe.

O mercado também é abastecido pela renovação de frotas das locadoras, que mantêm os veículos por até três anos antes de revendê-los, ampliando a oferta. Mesmo com o crédito mais caro, o financiamento de usados cresce: até outubro, 3,8 milhões de veículos usados foram financiados no país, contra 2,2 milhões de carros novos.

Apesar do aquecimento do setor de usados, a indústria automobilística avalia que o cenário não representa ameaça às montadoras. A produção de veículos novos deve fechar o ano com crescimento estimado em 5%, impulsionada por modelos de maior valor agregado.