31 de julho de 2025
fator de risco

Altas temperaturas elevam risco de AVC durante o verão

Desidratação, consumo de álcool e descuido com medicamentos aumentam chances de trombose e arritmia

Por Redação
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Segundo o médico, as altas temperaturas provocam desidratação das células, o que torna o sangue mais espesso e favorece a formação de coágulos - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O calor intenso típico do verão pode elevar significativamente o risco de casos de acidente vascular cerebral (AVC), segundo alerta do neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro. De acordo com o especialista, fatores como desidratação, consumo de bebidas alcoólicas e alterações na pressão arterial contribuem para o aumento da incidência da doença nesta época do ano.

Segundo o médico, as altas temperaturas provocam desidratação das células, o que torna o sangue mais espesso e favorece a formação de coágulos. Esse processo está diretamente relacionado ao AVC isquêmico, tipo mais comum da doença, responsável por cerca de 80% dos casos. Já o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso cerebral, representa a minoria dos registros.

Outro fator de risco está ligado à pressão arterial. No verão, a tendência é de queda da pressão devido à vasodilatação, o que pode favorecer arritmias cardíacas. Essas alterações no ritmo do coração também aumentam a chance de formação de coágulos que podem alcançar o cérebro, já que cerca de 30% do fluxo sanguíneo do coração é direcionado ao órgão.

O consumo excessivo de bebida alcoólica, mais frequente durante o período de férias, agrava a desidratação e eleva o risco de arritmias. Além disso, o médico alerta para a negligência com o uso regular de medicamentos e para o aumento de doenças típicas do verão, como gastroenterites, insolação e esforço físico excessivo.

O tabagismo também é apontado como um dos principais fatores externos associados ao AVC. Segundo Maia, a nicotina reduz a elasticidade dos vasos sanguíneos e favorece processos inflamatórios, aumentando o risco tanto de AVC isquêmico quanto hemorrágico.

Dados do Hospital Quali Ipanema indicam que, no verão, a unidade atende cerca de 30 pacientes com AVC por mês — o dobro da média registrada em outras épocas do ano. O médico destaca ainda que o AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo e tem ocorrido com maior frequência em pessoas com menos de 45 anos, especialmente quando há doenças crônicas não controladas.

A prevenção, reforça o especialista, passa por hábitos de vida saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, uso correto de medicamentos e abandono do cigarro. O atendimento rápido também é decisivo: tratamentos atuais podem dissolver ou remover o coágulo, desde que a pessoa chegue ao hospital nas primeiras horas após o início dos sintomas.

Entre os sinais de alerta estão paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão, tontura intensa ou perda de consciência. Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é buscar atendimento médico imediato, pois o AVC é uma emergência.