Desembargador tentou pacificar aliança política no RJ, mas ouviu ameaça de confronto de Bacellar
Macário Júdice alertou para riscos da divisão política, mas Bacellar respondeu com ameaça e postura confrontadora.
Publicado em
No auge da crise política no Rio de Janeiro, o desembargador federal Macário Júdice Neto buscou intermediar um acordo entre o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ). Segundo documentos do STF, Macário alertou Bacellar sobre a vulnerabilidade do grupo caso a aliança se rompesse, mas recebeu respostas carregadas de confrontação.
Em mensagens trocadas no dia 4 de novembro de 2025, Macário escreveu ao deputado: “Irmão, lamentável esse momento! Penso que separados serão vulneráveis. Para sair como candidato precisará da Alerj”. O desembargador orientou cautela e pediu que o aliado evitasse expor conflitos publicamente: “Evitemos esse embate. Mas pensemos juntos. Não verbalize nada agora.”
A tentativa de mediação, porém, não surtiu efeito. Bacellar respondeu com linguagem agressiva: “Se ele quiser me enfrentar, bebo sangue dele, irmão” e completou: “Sou da roça, amo brigar com peixeira na mão”.
O episódio chamou a atenção da Polícia Federal, que analisou as mensagens e destacou que o diálogo evidenciou a atuação política do desembargador. Investigadores apontam que Macário teria abandonado a imparcialidade da função para orientar estratégias eleitorais e gerenciar crises políticas que poderiam fortalecer o grupo liderado por Bacellar e o governador Castro.
Além das mensagens de confronto, Bacellar enviou ao desembargador trechos de comunicações envolvendo o governador, afirmando que ele “ama ser vítima e o mundo é o culpado, ele sempre inocente”. Para a PF, esses diálogos reforçam o caráter estratégico da intervenção de Macário e sua proximidade com o núcleo político investigado.