31 de julho de 2025
AMAZONAS

Caso Benício: Polícia pede prisão de médica e técnica por morte de menino após erro na aplicação de adrenalina

Investigação revela que médica usava carimbo de pediatra sem ter título; caso expõe falhas graves em hospital particular e mobiliza busca por justiça

Por Redação
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Médica Juliana Brasil Santos e a Técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva investigadas no Caso Benício - Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A Polícia Civil do Amazonas solicitou à Justiça a prisão preventiva da médica Juliana Brasil Santos e da técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, investigadas pela morte de Benício Xavier, de 6 anos. O menino faleceu em um hospital particular de Manaus, após a aplicação incorreta de adrenalina diretamente na veia. O pedido de prisão ocorre após a revogação do habeas corpus que beneficiava a médica, marcando um avanço crucial nas investigações que chocam o país e ecoam com força nos estados do Nordeste, como Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Paraíba, onde famílias seguem atentas a questões de saúde e segurança infantil.

De acordo com as investigações do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o óbito ocorreu na madrugada do dia 23 de novembro. A técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou a adrenalina por via intravenosa, conforme prescrição da médica Juliana Brasil. Em depoimentos, a própria médica admitiu o erro em documento enviado à polícia. A defesa de Juliana afirma, contudo, que a confissão se deu "no calor do momento". Ambas respondem ao inquérito em liberdade, mas com a revogação do HC, a prisão pode ser decretada a qualquer momento.

Um agravante descoberto pela polícia elevou a gravidade do caso. A médica Juliana Brasil é investigada também pelos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso. O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, confirmou que a profissional utilizava carimbo e assinaturas com referência à especialidade de pediatria, mesmo sem possuir o título oficialmente reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). "Todas as regulamentações indicam que o médico que não possui uma especialização não pode se identificar de nenhuma forma com uma especialidade que ele não possui", afirmou o delegado. A defesa da médica alegou que ela atuava legalmente na área e planejava realizar a Prova de Título de Especialista em Pediatria (TEP) ainda em dezembro.

O pai de Benício, Bruno Freitas, relatou a sequência trágica de eventos. O menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A prescrição médica incluía três doses de adrenalina intravenosa. A família, conhecedora do histórico da criança que só recebia adrenalina por nebulização, questionou a técnica de enfermagem. "Ela disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa, mas que estava na prescrição e que ia fazer", contou Bruno.

Minutos após a primeira aplicação, Benício teve uma piora súbita. Sua oxigenação caiu drasticamente, iniciando uma corrida contra o tempo: transferência para a sala vermelha, acionamento de outra médica, pedido de UTI. Na Unidade de Terapia Intensiva, o quadro se agravou. O menino foi intubado, sofreu paradas cardíacas e não resistiu, falecendo às 2h55 de um domingo. "Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça", desabafou o pai.

O Hospital Santa Júlia, onde ocorreu o atendimento, informou em nota que afastou as profissionais envolvidas e abriu investigação interna por sua Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. O caso segue sob apuração da Polícia Civil, que colhe depoimentos e analisa documentos para definir todas as responsabilidades criminais.