31 de julho de 2025
prevenção

Vacinação contra HPV reduz internações e lesões pré-cancerosas entre jovens

Estudo mostra queda de até 77% nas internações por doenças ligadas ao HPV após ampliação da vacinação no SUS

Por Redação
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A vacina contra HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As internações por doenças causadas pelo papilomavírus humano (HPV) caíram significativamente no Brasil após a inclusão da vacina no SUS, em 2014. Um estudo conduzido pela farmacêutica MSD identificou redução de até 66% em lesões pré-cancerosas e de mais de 70% em verrugas anogenitais entre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos.

Levantamento analisou dados do Sistema de Informações Hospitalares, comparando o período pré-vacinal com os anos posteriores à adoção da imunização. Entre meninas, as hospitalizações por neoplasia intraepitelial cervical de alto grau despencaram 66% entre 2014 e 2019. Já as internações por verrugas anogenitais caíram 77% no mesmo intervalo.

Entre os meninos — que passaram a ser incluídos na campanha apenas em 2017 — a pesquisa registrou queda de 50,9% nas hospitalizações por verrugas anogenitais até 2019.

Os resultados foram publicados na revista Human Vaccines and Immunotherapeutics. Para Cintia Parellada, diretora de Pesquisa de Dados de Mundo Real da MSD, o impacto é “um marco histórico” para a saúde pública, mas ela reforça a necessidade de manter alta cobertura vacinal, ampliar o rastreamento e garantir tratamento adequado.

Outro levantamento recente da Fiocruz também apontou efeitos positivos: a instituição identificou redução de 58% nos casos de câncer de colo de útero no país.

Cobertura vacinal

A vacina contra HPV é oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de pessoas imunossuprimidas, usuários de PrEP e pacientes com papilomatose respiratória recorrente. Desde 2024, o esquema foi simplificado para dose única.

Os dados mais recentes mostram adesão de 82,83% entre meninas e 67% entre meninos, índices muito superiores à média global de 12% estimada pela Organização Mundial da Saúde. Mesmo assim, o país ainda não atingiu a meta de cobertura de 90%.