ONU alerta para queda global na ajuda humanitária e lança plano reduzido para 2026
Cortes na assistência internacional limitaram a arrecadação em 2025 e devem restringir alcance das ações no próximo ano
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A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou nesta segunda-feira (8) seu plano humanitário para 2026, em meio à redução de doações internacionais e ao menor nível de financiamento em uma década. A entidade atribuiu o cenário à “apatia” global diante de crises humanitárias e conflitos em curso.
O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, afirmou que a ONU arrecadou, em 2025, US$ 12 bilhões dos US$ 45 bilhões solicitados — valor suficiente para atender 98 milhões de pessoas, 25 milhões a menos que no ano anterior. Segundo ele, os cortes de vários países contribuíram para o recuo.
Para 2026, o plano base prevê a captação mínima de US$ 23 bilhões, voltados a 87 milhões de pessoas em regiões consideradas de alto risco, como Gaza, Cisjordânia, Ucrânia, Sudão, Haiti e Mianmar. A meta ideal, porém, é de US$ 33 bilhões, quantia que a ONU considera difícil alcançar diante da redução da ajuda externa, especialmente por parte dos Estados Unidos.
A organização informou que 240 milhões de pessoas em áreas de conflito, afetadas por epidemias ou atingidas por desastres climáticos necessitam de apoio emergencial. Entre as prioridades estão:
- Territórios palestinos: solicitação de US$ 4,1 bilhões para atender cerca de 3 milhões de pessoas;
- Sudão: pedido de US$ 2,9 bilhões para auxiliar 20 milhões de afetados pela guerra civil.
Dados da ONU indicam que os Estados Unidos seguem como o maior doador humanitário, mas com forte retração: US$ 2,7 bilhões em 2025, ante US$ 11 bilhões em 2024.
Fletcher afirmou que as limitações financeiras levaram a decisões difíceis sobre a distribuição de recursos. Ele disse esperar que Washington revise cortes e considere reformas implementadas pela entidade para melhorar a eficiência operacional.
O subsecretário relatou episódios observados em áreas de conflito no Sudão e destacou que, sem recursos adicionais, a ONU deverá ampliar a mobilização para incluir sociedade civil, empresas e cidadãos. Segundo ele, há desinformação sobre o destino dos recursos internacionais e uma percepção equivocada sobre o peso do financiamento externo.
Fletcher afirmou que a entidade busca pouco mais de 1% do total gasto global com defesa. “Não se trata de escolher entre prioridades nacionais e internacionais, mas de reequilibrar investimentos”, declarou.