31 de julho de 2025

Exame cerebral de Kim Kardashian expõe controvérsia sobre uso do SPECT

Método exibido no reality associa “buracos” a baixa atividade cerebral, mas especialistas afirmam que não há evidências para esse tipo de diagnóstico

Por Redação
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Um episódio recente do reality The Kardashians reacendeu o debate sobre o uso de exames SPECT - Foto: AP Photo/Vianney Le Caer, File

Um episódio recente do reality The Kardashians reacendeu o debate sobre o uso de exames SPECT para avaliação da saúde cerebral. No programa, Kim Kardashian aparece discutindo resultados que, segundo o médico consultado por ela, mostrariam “buracos” e “baixa atividade” em regiões do cérebro.

O exame apresentado ao público não foi o mesmo que detectou, no início do ano, um aneurisma cerebral identificado por meio de uma ressonância magnética. A nova análise foi feita por SPECT, técnica desenvolvida nos anos 1970 que utiliza substâncias radioativas para medir fluxo sanguíneo em órgãos, incluindo o cérebro.

A tecnologia tem aplicações médicas específicas e restritas, sobretudo em diagnósticos relacionados ao cérebro, coração e ossos. No entanto, especialistas afirmam que não há comprovação científica para seu uso como ferramenta ampla de avaliação neurológica, especialmente em pessoas sem sintomas.

Clínicas privadas têm popularizado o SPECT entre celebridades, impulsionadas por imagens coloridas e pela promessa de identificar problemas como estresse, TDAH, distúrbios alimentares, insônia e até conflitos conjugais. Pesquisadores alertam que essas alegações não têm base científica e podem induzir diagnósticos equivocados.

Alterações de fluxo sanguíneo identificadas pelo SPECT podem ocorrer por diferentes motivos e até variar conforme horário, nível de descanso e outras condições do indivíduo. Ainda assim, algumas dessas clínicas descrevem áreas de menor circulação como “buracos” ou “amassados”, interpretação contestada por neurologistas e neurocientistas.

Outro ponto de preocupação é o custo: como o exame não é indicado como necessidade clínica, cada sessão pode ultrapassar US$ 3 mil, sem incluir suplementos e tratamentos posteriormente recomendados com base nas imagens.

Pesquisadores defendem que pessoas sem sintomas não precisam recorrer a esse tipo de exame e alertam para práticas consideradas oportunistas, que exploram a ansiedade por diagnósticos preventivos sem oferecer respaldo científico. Para eles, a avaliação médica deve se apoiar em métodos validados por estudos robustos e conduzidos por especialistas habilitados.