31 de julho de 2025
levantamento

Censo revela que 64% dos moradores de favelas não têm uma árvore sequer na rua onde vivem

Enquanto isso, fora das comunidades, proporção cai para 31%; dados do IBGE expõem desigualdade ambiental urbana no país

Por Redação
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Levantamento aponta desigualdade territorial - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Praticamente dois em cada três moradores de favelas no Brasil (64,6%) vivem em vias públicas sem nenhuma árvore. A constatação é de um suplemento do Censo 2022 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (5). Em contraste, fora das comunidades, a proporção de pessoas nessa mesma situação cai para três em cada dez (31%), revelando uma profunda desigualdade territorial no acesso ao verde urbano. Os dados foram coletados considerando árvores com pelo menos 1,70 metro de altura nas ruas, becos e vielas.

O levantamento detalha que, das 16,4 milhões de pessoas que viviam em favelas em 2022, cerca de 10,4 milhões estão em trechos totalmente desprovidos de arborização. A situação é crítica mesmo em cidades que sediaram eventos globais sobre o clima: em Belém, local da COP30, 65,2% dos moradores de favelas não tinham árvore na frente de casa, índice acima da média nacional. "A arborização tem a ver com conforto térmico, com melhor condição do ambiente urbano", destaca Filipe Borsani, chefe de Pesquisas Territoriais do IBGE, relacionando o tema à qualidade de vida e ao aquecimento global.

A análise também mostrou que, quanto maior a favela, menor a presença de árvores. Enquanto em comunidades com até 250 habitantes, 45,9% tinham alguma árvore na via, nas que superam 10 mil moradores, o índice cai para 31,8%. A disparidade é flagrante entre as maiores favelas do país: em Rio das Pedras (RJ), apenas 3,5% dos moradores têm árvores na rua; já no Sol Nascente (DF), 70,7% contam com essa vantagem.

Outro elemento de infraestrutura crucial, os bueiros – importantes para o escoamento de água da chuva e adaptação climática – também são mais escassos nas favelas. Enquanto 45,4% dos moradores dessas áreas têm bueiro em sua via, fora delas o percentual sobe para 61,8%. Os dados reforçam a urgência de políticas públicas, como o Plano Nacional de Arborização Urbana lançado durante a COP30, para reverter o déficit de infraestrutura verde e de saneamento nas comunidades mais vulneráveis.

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