31 de julho de 2025
pesquisa

IBGE: 3,1 milhões em favelas vivem em ruas sem acesso a ambulâncias e caminhões de lixo

Nas áreas urbanas fora das favelas, essa realidade atinge apenas 1,4% da população; os dados são do suplemento Favelas e comunidades urbanas

Por Redação
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Para os pesquisadores do IBGE, os dados escancaram uma “exclusão histórica” - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma parcela significativa dos moradores de favelas no Brasil enfrenta um isolamento urbano crítico: 3,1 milhões de pessoas – o equivalente a 19,1% dos residentes em comunidades – vivem em vias tão estreitas ou precárias que não permitem a passagem de ambulâncias, caminhões de lixo ou veículos de emergência. Nas áreas urbanas fora das favelas, essa realidade atinge apenas 1,4% da população. Os dados são do suplemento Favelas e comunidades urbanas, do Censo 2022, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (5).

A pesquisa revela um abismo na infraestrutura urbana básica. Enquanto 93,4% dos domicílios fora de favelas estão em ruas que suportam o tráfego de caminhões e ônibus, esse índice cai para 62% nas comunidades. Essa limitação concreta impede o acesso a serviços essenciais. “Não passa um caminhão de lixo, por exemplo”, explica Filipe Borsani, chefe de Pesquisas Territoriais do IBGE. A desigualdade se repete em outros indicadores: apenas 53,9% têm calçadas (contra 89,3% fora das favelas) e somente 3,8% têm calçadas sem obstáculos.

Pavimentação e iluminação também mostram desigualdades


A situação é igualmente desigual em relação à pavimentação e iluminação. O estudo mostra que 78,3% dos moradores de favelas têm vias pavimentadas no entorno de casa, índice que chega a 91,8% fora das comunidades. A iluminação pública, embora seja o serviço mais presente, ainda apresenta uma cobertura menor nas favelas (91,1%) em comparação com o restante das áreas urbanas (98,5%). Na Rocinha, maior favela do país, os números são ainda mais dramáticos: apenas 54,3% dos moradores têm postes de luz no entorno.

Para os pesquisadores do IBGE, os dados escancaram uma “exclusão histórica”. “É possível observar que existe, por parte do poder público, uma intensidade em promover esses equipamentos em alguns espaços e em outros não”, avalia Borsani. A gerente do estudo, Leticia Giannella, espera que as informações sirvam como instrumento de reivindicação para que as populações locais possam exigir melhorias e romper com a oferta precária de serviços pelo Estado.