31 de julho de 2025
sistema imumológico

Tintas de tatuagem migram para gânglios e podem reduzir eficácia de vacinas

Tintas preta e vermelha mostraram maior impacto no sistema imune

Por Redação
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Segundo os pesquisadores, pigmentos sobretudo os das cores preta e vermelha não permanecem restritos à pele - Foto: Freepik

Um estudo preliminar publicado nesta terça-feira (2/12) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) indica que tintas de tatuagem podem interferir no funcionamento do sistema imunológico. Segundo os pesquisadores, pigmentos sobretudo os das cores preta e vermelha não permanecem restritos à pele. Em poucas horas, eles atingem a circulação linfática e se acumulam nos gânglios linfáticos, estruturas essenciais para coordenar a defesa do organismo.

Ao chegarem aos gânglios, os pigmentos são alvo de macrófagos, células encarregadas de engolir partículas nocivas. Porém, como muitos pigmentos contêm metais e compostos sintéticos de difícil degradação, os macrófagos acabam morrendo durante o processo. Esse ciclo de morte celular e acúmulo de tinta gera um estado de inflamação persistente que pode se prolongar por anos.

A inflamação nos gânglios preocupa porque essas estruturas desempenham papel central na geração de anticorpos e células de memória após a vacinação. O estudo sugere que, quando sobrecarregados por pigmentos especialmente em tatuagens recentes e na região próxima ao local da aplicação os gânglios podem responder de maneira menos eficaz aos antígenos. Com macrófagos prejudicados, parte do estímulo vacinal pode ser menos captado.

Os autores ressaltam que os achados ainda são preliminares. Parte dos experimentos foi conduzida em laboratório ou em modelos animais, e a dimensão do impacto em humanos ainda precisa ser confirmada. Além disso, as tintas avaliadas representam apenas uma fração das disponíveis no mercado, cuja composição varia amplamente em termos de metais pesados e padrões de fabricação.

Apesar das limitações, o estudo reforça a necessidade de aprofundar o debate sobre segurança das tintas e possíveis orientações para profissionais de saúde especialmente diante do aumento do número de pessoas tatuadas. Os pesquisadores afirmam que os próximos passos incluem detalhar como os pigmentos interagem com o sistema imune e contribuir para futuras regulamentações do setor.