31 de julho de 2025
Economia

Veja o valor do novo salário mínimo proposto pelo governo Lula para 2026

tualização enviada ao Congresso reduz estimativa de R$ 1.631 para R$ 1.627, após inflação menor que a esperada influenciar o cálculo do piso

Por Redação
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Governo Lula envia ao Congresso valor do novo salário mínimo 2026 - Foto: Agência Brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisou para baixo a previsão do salário mínimo de 2026, que passou de R$ 1.631 para R$ 1.627. A mudança reflete a desaceleração da inflação, fator que impacta diretamente a fórmula de correção anual do piso nacional.

A nova estimativa aparece em documentos enviados ao Congresso pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, que servem de base para a análise da proposta de Orçamento de 2026.

De acordo com o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), o valor final do salário mínimo deve chegar a R$ 1.630 — um aumento nominal de 7,37% em relação aos atuais R$ 1.518.

O cálculo considera a projeção de 4,76% para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até novembro, somado ao teto de 2,5% de crescimento real permitido pelo novo arcabouço fiscal.

Projeções para os próximos anos

O PLDO também apresenta estimativas preliminares para os anos seguintes: R$ 1.724 em 2027, R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.925 em 2029 — valores sujeitos a revisão nas próximas propostas orçamentárias.

Segundo dados do Dieese e do IBGE, entre 2003 e 2016 o salário mínimo acumulou aumento real próximo de 77%. Já a partir de 2016, houve estagnação e perda de poder de compra, especialmente durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o piso foi reajustado apenas pela inflação.

Em 2023, com o retorno de Lula ao Planalto, a política de valorização real foi retomada. A regra, formalizada pela Lei nº 14.663/2023, prevê reajustes acima da inflação com base no crescimento do PIB, mas os cortes de gastos adotados em 2025 limitaram o ganho real a 2,5%.

Impacto no Orçamento

De acordo com o Ministério do Planejamento, cada R$ 1 acrescido ao mínimo gera impacto aproximado de R$ 400 milhões nas contas públicas, afetando despesas como Previdência Social, seguro-desemprego, abono salarial e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Só na Previdência, a estimativa é de aumento de R$ 115,3 bilhões nos gastos e de R$ 71,2 bilhões na arrecadação.

A prévia da inflação medida pelo IPCA-15 registrou alta de 0,20% em novembro, acumulando 4,5% em 12 meses e permanecendo dentro do limite da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

A confirmação do salário mínimo de 2026 depende da divulgação oficial do INPC, prevista para 10 de dezembro, o que pode consolidar reajuste próximo de 7,2% sobre o valor atual.

O Ministério do Planejamento ressaltou que a revisão da projeção não significa cortes automáticos em benefícios. Cabe ao Congresso ajustar ou não as despesas sociais e previdenciárias durante a análise do Orçamento.