Incêndio em Hong Kong já é o mais letal da história da região com 55 mortos
Bombeiros combatem chamas há mais de 24 horas em complexo habitacional; material inflamável usado em reforma teria acelerado propagação do fogo
Um incêndio devastador persiste há mais de 24 horas no complexo habitacional Wang Fuk Court, no bairro de Tai Po, em Hong Kong, tornando-se a tragédia mais mortal do tipo na história da região. De acordo com o South China Morning Post, o balanço atual registra 55 mortos, 76 hospitalizados - sendo 43 em estado crítico ou grave - e 62 pessoas ainda presas em apartamentos, enquanto 280 moradores permanecem desaparecidos.
O fogo, que começou na quarta-feira (26) às 14h (horário local), consumiu sete dos oito prédios do conjunto residencial que abriga aproximadamente 4 mil pessoas em mais de 2 mil apartamentos. Embora as chamas tenham sido totalmente extintas em quatro edifícios e controladas nos três restantes, as operações de resgate continuam em condições extremamente desafiadoras.
As investigações apontam para grave negligência na reforma do condomínio, iniciada em julho de 2024. Dois diretores e um consultor da empreiteira responsável pelas obras foram presos por homicídio culposo. A superintendente Eileen Chung afirmou que há "razões para acreditar que os responsáveis da empresa foram gravemente negligentes", o que permitiu que o fogo se espalhasse "de forma incontrolável, causando muitas mortes".
O uso de materiais altamente inflamáveis, incluindo isopor cobrindo janelas de elevadores e telas de proteção fora dos padrões de segurança, teria acelerado a propagação das chamas, que começaram nos andaimes de bambu que envolviam os prédios. A tragédia superou o incêndio do edifício Garley de 1996, que deixou 41 mortos.
O governo de Hong Kong anunciou medidas de assistência, incluindo a disponibilização de mais de 1.400 unidades habitacionais temporárias em diferentes bairros para abrigar os desalojados.