Imprensa europeia destaca prisão de Bolsonaro: "Fim de um período calamitoso"
Principais veículos do Velho Continente repercutem o início do cumprimento da pena de 27 anos pelo ex-presidente e aliados, com detalhes da cela e menção à gestão "catastrófica" na pandemia
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A imprensa europeia repercute com destaque, nesta quarta-feira (26), o início do cumprimento efetivo das penas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seis de seus aliados pela trama golpista. A cobertura internacional enfatiza que, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de esgotar os recursos, o processo transitou em julgado e as condenações são agora definitivas.
O jornal francês Le Monde estampa a manchete: “Bolsonaro vai cumprir sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado”. A publicação destaca que a decisão ocorre menos de três meses após uma "condenação histórica" no Brasil, relacionada a um projeto que "previu até o assassinato de Lula". A France24 reitera que Bolsonaro foi considerado culpado por liderar uma organização criminosa para se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022.
Os detalhes da prisão também são noticiados. O Le Monde completa que o ex-presidente está detido em uma cela de 12m² na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, equipada com frigobar, ar-condicionado e televisão. O português Público lembra que a decisão final foi do ministro Alexandre de Moraes e que Bolsonaro já estava preso preventivamente desde sábado (22) por "risco de fuga", após tentar retirar a tornozeleira eletrônica.
O britânico The Guardian amplia o foco, destacando que outros aliados do ex-presidente também começaram a cumprir pena, incluindo os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos.
A cobertura internacional não poupa críticas ao governo passado. O correspondente do The Guardian no Brasil, Tom Philipps, relata que a prisão é comemorada por brasileiros progressistas, que veem a era Bolsonaro como “um período calamitoso de devastação ambiental, isolamento internacional e hostilidade às minorias”. A matéria faz referência explícita às "centenas de milhares de mortes" durante a pandemia de Covid-19, gerenciada de forma "catastrófica" devido à "postura anticientífica" do ex-presidente.
O El País da Espanha sintetiza: “Chegou o momento com o qual sonharam muitos democratas brasileiros, militantes de esquerda e familiares das vítimas da Covid”. Sua correspondente, Naiara Galarraga, afirma que nem os esforços da família por uma anistia no Congresso nem a "imensa pressão" do americano Donald Trump conseguiram evitar a condenação por tentar subverter a ordem constitucional.
O The Guardian também ouviu apoiadores de Bolsonaro, que condenam a prisão e falam em "caça às bruxas", defendendo protestos contra o STF. No entanto, a reportagem ressalta a falta de sinais de manifestações em massa, registrando apenas "pequenos grupos de bolsonaristas" reunidos para orar em frente ao complexo da PF em Brasília, indicando um movimento de resistência contido até o momento.