Pesquisa nacional revela que 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica em 2025; 71% foram agredidas na frente de crianças
Estudo mostra que 40% das testemunhas não ofereceram ajuda; violência digital atinge 10% das brasileiras
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Um levantamento histórico do DataSenado, que completa 20 anos de acompanhamento da violência de gênero, revelou que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. A pesquisa, que ouviu 21.641 mulheres entre maio e julho deste ano, alerta para um dado especialmente preocupante: 71% das agressões ocorreram na presença de outras pessoas, sendo que em 70% desses casos havia crianças no local, frequentemente filhos das próprias vítimas.
A violência mostrou-se recorrente na vida das mulheres, com quase 6 em cada 10 vítimas relatando agressões nos últimos seis meses, enquanto 21% convivem com episódios violentos há mais de um ano. Pela primeira vez, o estudo investigou a violência digital, constatando que 10% das mulheres sofreram agressões online, incluindo mensagens ofensivas recorrentes, criação de perfis falsos ou invasão de contas.
Um dos aspectos mais alarmantes da pesquisa é a omissão das testemunhas: em 40% dos casos de agressão presenciados por outras pessoas, nenhuma ajuda foi oferecida à vítima. A subnotificação também persiste como desafio, com 33% das entrevistadas tendo vivenciado pelo menos uma das 13 formas de violência investigadas, mas parte delas não se reconhece como vítima na pergunta direta.
As redes de apoio informais continuam sendo as primeiras opções para as vítimas, que buscam principalmente amigos, parentes e igreja, enquanto a procura por delegacias da mulher ou serviços como o Ligue 180 permanece reduzida. O principal motivo para não denunciar é a preocupação com os filhos (17%), seguido por descrença na punição (14%) e esperança de que seria a última agressão (13%).
Apesar da redução nos índices de violência em relação a 2023 - caindo de 7% para 4% - a percepção das mulheres sobre o cenário é pessimista: 79% acreditam que a violência aumentou no último ano e 71% consideram o Brasil um país muito machista. A pesquisa, que começou em 2005 e foi fundamental para a discussão da Lei Maria da Penha, será apresentada em sessão especial do Senado na quinta-feira (27), atualizando o Mapa Nacional da Violência de Gênero.