31 de julho de 2025
LEVANTAMENTO

Trabalho em casa perde espaço no Brasil pelo segundo ano consecutivo, aponta IBGE

Após pico durante a pandemia, home office recua para 7,9% dos trabalhadores em 2024, mas ainda se mantém acima dos níveis pré-covid

Por Redação
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Proporção de quem estava em home office recuou em 2024 - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pela segunda vez consecutiva, o trabalho em casa perdeu participação no mercado de trabalho brasileiro. Em 2024, aproximadamente 6,6 milhões de pessoas exerciam suas atividades profissionais no domicílio – uma redução em relação às 6,7 milhões registradas em 2022. Em termos percentuais, a queda foi de 8,4% para 7,9% do total de trabalhadores, marcando uma inversão na tendência de crescimento impulsionada pela pandemia de covid-19.

Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pnad Contínua, mostram que 2023 foi o ano de inflexão, quando 6,61 milhões (8,2%) estavam nessa condição. A pesquisa exclui empregados do setor público e trabalhadores domésticos, considerando um universo de 82,9 milhões de pessoas. De acordo com o analista William Kratochwill, a categoria "trabalho no domicílio" também inclui profissionais que utilizam espaços de coworking.

O perfil do trabalhador em home office é majoritariamente feminino. As mulheres representam 61,6% do total de pessoas nessa modalidade. Quando se observa a proporção em relação ao total de trabalhadores por sexo, 13% das mulheres trabalhavam em casa, contra apenas 4,9% dos homens.

Apesar do recuo recente, o nível atual de trabalho em casa ainda supera o verificado antes da pandemia. Em 2012, apenas 3,6% dos trabalhadores atuavam nessa modalidade, percentual que subiu para 5,8% em 2019 antes de atingir o pico de 8,4% em 2022. "Mas ainda está em um nível superior ao que tínhamos antes do período pandêmico e das novas tecnologias", assegura Kratochwill.

O movimento de redução do home office tem gerado insatisfação e conflitos em algumas empresas. No início deste mês, o Nubank anunciou um retorno gradual ao trabalho presencial, medida que resultou na demissão de 12 funcionários, segundo o Sindicato dos Bancários. Em março, funcionários da Petrobras também realizaram uma paralisação contra a redução do teletrabalho.

A pesquisa detalha ainda os principais locais de trabalho dos brasileiros. A maioria (59,4%) atua no estabelecimento do próprio empreendimento, seguido por local designado pelo empregador (14,2%) e propriedades rurais (8,6%). O trabalho no domicílio aparece em quarto lugar (7,9%).

Chama atenção o crescimento consistente do trabalho em veículo automotor, que passou de 3,7% em 2012 para 4,9% em 2024. Para o pesquisador do IBGE, esse aumento reflete o surgimento de serviços por aplicativo como Uber e 99. "Com certeza há um impacto do transporte de passageiros", diz Kratochwill. "Mas não se pode desconsiderar essa nova onda de food truck. Cada um, um pouquinho, favorece para isso".

Nessa categoria, há forte predominância masculina: enquanto 7,5% de todos os homens trabalhadores atuam em veículos, entre as mulheres o percentual é de apenas 0,7%.