31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Presidente da CPMI do INSS defende suspensão de 180 dias deempréstimos consignados

Senador Carlos Viana alerta que mais de 1,6 milhão de beneficiários podem ter sofrido descontos irregulares

Por Redação
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Presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana vê "indícios preocupantes" de fraudes em empréstimos consignados - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, defendeu nesta terça-feira (18) a suspensão por 180 dias da cobrança de parcelas de empréstimos consignados já contratados por aposentados e pensionistas. A medida temporária teria como objetivo permitir a revisão dos contratos, identificar irregularidades e proteger os beneficiários de descontos indevidos.

"Durante esses 180 dias nenhuma parcela seria descontada do benefício e ninguém seria considerado inadimplente. É uma medida de proteção social para que o aposentado não continue pagando por algo que ainda precisa ser revisado", argumentou o parlamentar. Segundo Viana, existem "indícios preocupantes" de fraudes no sistema, com mais de 1,6 milhão de aposentados possivelmente afetados por descontos que exigem reavaliação.

O senador destacou o grave impacto social das supostas irregularidades: "Estamos falando de idosos que trabalharam a vida inteira e hoje ficam com R$ 400, R$ 500 para sobreviver, porque o restante some em consignados que muitos sequer lembram de ter autorizado". O conjunto de operações sob análise da CPMI pode somar até R$ 12 bilhões em créditos concedidos irregularmente.

Viana também se manifestou sobre o PL 1.546/2024, aprovado pelo Senado no dia 12 de novembro com apoio unânime dos partidos e que aguarda sanção presidencial. "Se o presidente da República não sancionar, vou lutar para derrubar o veto a fim de que a gente proíba todo e qualquer desconto de sindicato, associação e entidade". O projeto proíbe qualquer desconto de mensalidades associativas nos benefícios previdenciários, mesmo quando autorizado pelo segurado.

O presidente da CPMI afirmou que a primeira etapa dos trabalhos está próxima do encerramento, com a identificação dos principais responsáveis pelo esquema investigado. "O núcleo principal que roubou a Previdência está na cadeia. Só tem um foragido que deve se apresentar a qualquer momento. E tem mais prisões para vir". A comissão deve encaminhar nos próximos dias informações preliminares ao Banco Central, Polícia Federal, Ministério Público e à direção do INSS para aprofundamento das investigações.