31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Ex-ministro da Previdência e sócio assinaram acordos com 10 associações em esquema bilionário de fraudes

José Carlos Oliveira e Edson Yamada autorizaram descontos em aposentadorias quando ocupavam cargos-chave no INSS

Por Redação
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Edson Yamada e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira - Foto: Reprodução

O ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira e seu sócio Edson Yamada, que foi dirigente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assinaram acordos com dez associações investigadas no esquema de fraudes que desviou R$ 1,9 bilhão de aposentados. Os dois foram alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal, que prendeu três ex-dirigentes do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanutto.

Dos dez Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com entidades suspeitas, três foram firmados por Oliveira quando era diretor de Benefícios do INSS, departamento responsável por autorizar descontos. Outras sete associações receberam autorização durante a gestão de Yamada, que assumiu o cargo quando Oliveira presidia o INSS e se manteve no posto mesmo durante o mandato do ex-ministro no governo Bolsonaro e nos primeiros meses do governo Lula.

Oliveira e Yamada são sócios na empresa de consultoria Oriente, que também tem a filha do ex-ministro, Yasmin Ahmed Oliveira, como integrante do quadro societário. Investigações revelaram que Yamada doou R$ 15 mil para a campanha de Oliveira a vereador de São Paulo pelo PSD em 2024.

A PF identificou que Oliveira atuou em favor da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade que desviou mais de R$ 640 milhões. Em 2021, como diretor de Benefícios, ele liberou R$ 15,3 milhões para a associação sem a comprovação documental necessária, permitindo descontos indevidos em 650 mil benefícios previdenciários.

Com 40 anos de carreira no INSS, Oliveira conseguiu se aposentar na semana passada, mesmo sob investigação. A medida levantou suspeitas entre servidores, que a veem como possível estratégia para evitar as consequências de Processo Administrativo Disciplinar na Controladoria-Geral da União. O INSS afirmou não ter conhecimento da aposentadoria. O ex-ministro cumpre medida cautelar com tornozeleira eletrônica por determinação do ministro André Mendonça, do STF.