Padre é acusado de injúria racial e agressão em cerimônia de matriz africana
Líder religioso relata que foi chamado de "macaco nojento" durante ritual no Cemitério Morada da Grande Planície
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Um padre da Paróquia Nossa Senhora das Graças está sendo acusado de injúria racial e agressão durante uma cerimônia de matriz africana realizada no Cemitério Morada da Grande Planície, em Praia Grande (SP), no último dia 2 de novembro. De acordo com o relato do líder religioso Leandro Oliveira Rocha, de 44 anos, o religioso interrompeu o ritual antes do horário estipulado e o insultou com palavras de cunho racista, chamando-o de "macaco nojento" na frente de todos os participantes.
O episódio, que ocorreu durante as celebrações do Dia de Finados, veio a público nesta semana após Rocha publicar um desabafo em suas redes sociais. Em seu relato, ele descreve o momento como "horrível" e "destruidor", destacando a contradição de um líder religioso que deveria pregar a paz, mas praticou intolerância. "Estávamos ministrando nosso culto à ancestralidade quando ele invadiu nosso espaço e horário me insultando com um palavrão feio", afirmou.
Além dos xingamentos, o padre teria agredido fisicamente uma mulher que filmava a confusão. Em vídeo obtido pelo Terra, é possível ver o religioso dando um tapa na mão da participante. A cerimônia de matriz africana estava marcada para começar às 14h, seguida por uma missa do padre às 16h, mas o confronto aconteceu antes do horário previsto para o término do culto.
Leandro Rocha registrou um boletim de ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Praia Grande. O caso foi enquadrado como "ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo" e "injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional". A Polícia Civil confirmou o registro, mas informou que o padre ainda não foi identificado oficialmente. A reportagem do Terra tenta contato com a paróquia e a diocese envolvidas, mas não obteve retorno até o momento.