Alckmin vê como "positiva" redução de tarifas dos EUA, mas cobra fim da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros
Vice-presidente diz que medida é "passo na direção correta" após diálogos de Lula com Trump, mas destora distorção que mantém Brasil em desvantagem competitiva
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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou como "positiva" a decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios, mas destacou que a permanência da sobretaxa de 40% aplicada exclusivamente ao Brasil continua criando distorções no comércio bilateral. Em coletiva no Palácio do Planalto neste sábado (15), Alckmin afirmou que a medida representa "um passo na direção correta", porém insuficiente para normalizar as relações comerciais.
Alckmin explicou a anomalia: "Todo mundo teve 10% [pontos percentuais] a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto". O vice-presidente detalhou os impactos por produto:
- Suco de laranja: Tarifa zerada (era 10%), beneficiando setor de US$ 1,2 bilhão
- Café: Caiu de 50% para 40%, mas concorrentes como Vietnã obtiveram reduções maiores
- Carne bovina e frutas: Redução de 50% para 40%, com ganho limitado pela sobretaxa residual
A medida norte-americana reflete avanços nas relações bilaterais, incluindo a conversa entre os presidentes Lula e Trump em outubro e reuniões entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio. "A última ordem executiva do presidente Trump foi positiva e na direção correta", reconheceu Alckmin, acrescentando que "o Brasil não é problema, é solução" - lembrando que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil.
Com a retirada da tarifa global de 10%, o volume de exportações brasileiras isentas para os EUA aumentou de 23% para 26%, equivalente a aproximadamente US$ 10 bilhões. No entanto, o setor cafeeiro, que exportou US$ 1,9 bilhão em 2024, registrou queda de 54% nas vendas em outubro na comparação anual, refletindo os efeitos do "tarifaço" implementado em julho.
Alckmin citou outros avanços recentes, incluindo a liberação de ferro-níquel e celulose em setembro e reduções para madeira e móveis em outubro, mas manteve o foco na necessidade de eliminação completa da sobretaxa discriminatória de 40% que continua prejudicando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.