PF aponta liberação irregular de R$ 15 milhões em descontos para entidade rural
Ex-diretor do INSS é acusado de facilitar esquema de descontos fraudulentos e receber propina
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A Polícia Federal investiga o ex-diretor de Benefícios do INSS, José Carlos Oliveira, por liberar R$ 15,3 milhões à Conafer em 2021, decisão que teria permitido a inclusão de milhares de filiações fraudulentas no sistema da Previdência. As informações são do portal Metrópoles.
Em 2021, a Confederação Nacional de Agricultores Familiares (Conafer) enfrentava dificuldade para comprovar a filiação de 650 mil beneficiários ao INSS. A entidade recorreu a José Carlos Oliveira, então diretor de Benefícios.
Em 1º de julho de 2021, ele autorizou o repasse milionário. Segundo a PF, a decisão abriu espaço para que Tiago Abraão Ferreira Lopes, irmão do presidente da Conafer, burlasse normas internas e adicionasse 30 listas irregulares no esquema de descontos indevidos — exposto pelo Metrópoles desde 2023.
Nesta semana, Tiago foi preso. Seu irmão, Carlos Roberto Ferreira Lopes, segue foragido.
Pagamentos suspeitos
A PF aponta que Oliveira teria sido recompensado com propina. Mensagens trocadas com Cícero Marcelino Santos, operador financeiro da Conafer, incluem o pagamento de R$ 100 mil para o destinatário identificado como “São Paulo Yasser”.
Investigadores afirmam que “São Paulo” e “Yasser” eram codinomes usados para se referir a Oliveira — referência ao período em que atuou em São Paulo e ao nome islâmico adotado, Ahmed Mohamed.
Ascensão no governo Bolsonaro
Meses após liberar os R$ 15 milhões, Oliveira foi promovido e assumiu a presidência do INSS. Depois, comandou o Ministério da Previdência até o fim do governo Jair Bolsonaro.
Na semana passada, ele foi aposentado do INSS enquanto ainda respondia a um processo disciplinar na CGU.
O que diz a Conafer
Em nota, a Conafer mencionou quatro investigados ligados à entidade, mas omitiu o nome de Carlos Lopes, seu presidente, que está foragido.
A confederação defendeu a presunção de inocência e afirmou que a paralisação das atividades prejudica agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos indígenas.
A defesa de Oliveira não respondeu aos contatos.
Quem foi alvo da operação
- Alessandro Antônio Stefanutto — ex-presidente do INSS
- Antonio Carlos Camilo (“Careca do INSS”) — já preso
- André Paulo Félix Fidelis — ex-diretor do INSS
- Virgílio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho — ex-procurador do INSS
- Thaisa Hoffmann Jonasson — esposa de Virgílio
- Carlos Lopes — presidente da Conafer (foragido)
- Tiago Abraão Ferreira Lopes — diretor da Conafer
- Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior — operador financeiro
- Cícero Marcelino de Souza Santos — lobista
- Vinícius Ramos da Cruz — presidente do Instituto Terra e Trabalho