31 de julho de 2025
Crime Ambiental

Líder e 23 integrantes de maior rede de tráfico de aves do país são denunciados por MPs de AL e BA

Grupo atuava há décadas em quatro estados e movimentou cerca de R$ 500 mil em seis meses; investigações apontam maus-tratos e captura de espécies ameaçadas

Por Redação
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Líder e 23 integrantes de maior rede de tráfico de aves do país são denunciados por MPs de AL e BA - Foto: MP de Alagoas

Uma blitz na BR-101, em Itabuna (BA), no início de janeiro, levou à prisão de Weber Sena de Oliveira, conhecido como “Paulista”, e desencadeou uma investigação que resultou na denúncia de 24 suspeitos pela maior rede de tráfico de aves silvestres do país. As denúncias foram apresentadas pelos Ministérios Públicos de Alagoas e da Bahia.

Weber, considerado o líder do esquema, foi flagrado transportando 135 aves e, desde então, passou a ser alvo central das apurações. Ele acabou preso preventivamente em setembro, durante a Operação Fauna Protegida, na cidade de Mascote (BA). Segundo os promotores responsáveis pelo caso, o grupo integrado por 24 pessoas atuava na captura, compra, venda e transporte ilegal de aves — incluindo espécies ameaçadas de extinção — além de manter uma estrutura financeira destinada à lavagem de dinheiro.

As denúncias, cinco no total, foram apresentadas entre 29 de outubro e 10 de novembro, período que coincidiu com a realização da COP30 em Belém, cujo debate incluiu a proteção da fauna brasileira. Dados do ICMBio apontam que o Brasil tem atualmente 1.254 espécies e subespécies ameaçadas.

A organização criminosa era composta por 14 fornecedores, cinco receptadores, três transportadores e uma operadora financeira. A atuação se concentrava na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com ramificações no Espírito Santo.

Movimentação financeira e logística

As investigações revelam que, entre fevereiro e agosto de 2023, quase R$ 500 mil passaram pelas contas de Ivonice Silva e Silva, companheira de “Paulista”. Ela é apontada como responsável por receber pagamentos pelas remessas de aves — que, em alguns casos, ultrapassavam mil unidades — e por repassar valores aos fornecedores.

Depósitos feitos a partir de terminais da região de Magé (RJ) foram ligados a Valter Nélio, o “Juninho de Magé”, também denunciado por lavagem de dinheiro.

As aves eram capturadas por meio de armadilhas e redes de até 20 metros, capazes de capturar centenas de pássaros em um único dia. Espécies como estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão e pássaro-preto estão entre as mais visadas. Há registros de vendas que chegavam a R$ 80 mil.

Os animais eram mantidos em cativeiros improvisados, com condições inadequadas de alimentação e higiene. Estudos citados pelos promotores apontam que até 90% das aves morrem durante o transporte devido a maus-tratos, estresse e falta de cuidados.

Rota e operações

A rota do tráfico — do sudeste da Bahia e nordeste de Minas em direção ao Rio de Janeiro — foi identificada em estudo da Abrampa, que mapeou 31 áreas de recorrência de apreensões.

A segunda etapa da Operação Fauna Protegida foi deflagrada em 29 de outubro em cidades da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além do cumprimento de mandados no Espírito Santo. Foram executados dois mandados de prisão preventiva, 17 de busca e apreensão e três flagrantes.

As ações ocorreram simultaneamente em 11 estados, com apoio de polícias ambientais e órgãos de fiscalização.

Denunciados

Bahia (14)
Weber Sena Oliveira, “Paulista” (preso preventivamente)
Ivonice Silva e Silva
Uallace Batista Santos
Messias Bispo dos Santos
Gilmar José dos Santos
Ademar de Jesus Viana
Josevaldo Moreira Almeida
Donizete Gonçalves Dias
Judcael Ribeiro da Silva, “Cael”
Jocimar Ferreira da Silva
Valda Ribeiro da Silva
Allef de Oliveira Araújo
Carlito Araújo de Oliveira
Lázaro Roberto Leal, “Lazinho”

Minas Gerais (3)
Alberto Figueiredo Oliveira (preso preventivamente)
Íris Santos Batista
Carlos Alberto Rodrigo Pereira, “Tupet”

Rio de Janeiro (6)
Valter Nélio Eymael Júnior, “Juninho de Magé” (já preso)
José Luminato Cortes
Demisson Ferreira Passos, “Dedê”
Gerson Freira Braga, “Loquinha” (preso preventivamente)
José Roberto Cardoso da Silveira, “Zezé” (foragido)
Fábio Alexandre Amarante Bertacini, “Fabinho”

Espírito Santo (1)
Vagner Sassemburg