Treinador do Mirassol revela segredo de campanha histórica no Brasileirão; saiba qual
Treinador paulista explica como transformou o Mirassol em sensação do Brasileirão: intensidade, disciplina e um elenco que “comprou a ideia”
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O técnico Rafael Guanaes, de 44 anos, é hoje um dos nomes mais comentados do futebol brasileiro. À frente do Mirassol, equipe do interior paulista que surpreende no Campeonato Brasileiro de 2025 com vitórias sobre gigantes como Palmeiras, Grêmio, Corinthians, São Paulo e Santos, o treinador revelou o que considera o segredo do sucesso da equipe: "Treino, muito treino. Nosso principal jogador é a coletividade". O Mirassol hoje ocupa a 4ª colocação no Brasileirão e deve ir à Copa Libertadores da América.
“É um time de muito treino, cara. Mas muito treino mesmo, de muita quilometragem. A gente chega a passar de oito quilômetros por treino. Campos grandes, intensidade o tempo todo. É isso que construiu o Mirassol de hoje”, disse Guanaes em entrevista durante um podcast.
Formado em Educação Física pela Campbell University, nos Estados Unidos, onde também jogou futebol universitário, Rafael Guanaes construiu uma carreira sólida e discreta até alcançar o protagonismo atual. Aos 29 anos, iniciou sua trajetória como técnico no Atlético Joseense, clube presidido por seu pai, Nelson Guanaes. Depois, passou por União São João, São Carlos, Votuporanguense — onde foi campeão da Copa Paulista de 2018 — e Athletico Paranaense, com quem levantou o título estadual de 2019.
O treinador também tem passagens marcantes por Sampaio Corrêa, Tombense, Cruzeiro, Novorizontino e Operário Ferroviário, até assumir o Mirassol em março de 2025. Hoje, seu trabalho é considerado um dos mais consistentes do país.
Para ele, o ponto forte do Mirassol é a coletividade. “Nosso principal jogador é o grupo. A coletividade. Todo mundo comprou a ideia. Eu costumo dizer: esse cara é louco, mas eu vou fazer o que ele está falando. E eles fazem. Porque acreditam no projeto”, afirma.
Guanaes conta que o segredo não está apenas na intensidade dos treinos, mas na fidelidade ao modelo de jogo. “Se a gente está ganhando o jogo e o time não está respeitando o que foi treinado, eu entro e falo: está uma bosta. E está 2 a 0 pra nós! Porque senão a gente é hipócrita. Não dá pra elogiar quando perde jogando bem e ignorar quando vence jogando mal. Tem que respeitar a cultura que trouxe o Mirassol até aqui.”
Com a filosofia de trabalho baseada em comprometimento, coragem e repetição, Guanaes vem colhendo os frutos de uma jornada que une disciplina acadêmica e sensibilidade de campo.
“Quando a gente foi jogar com o Cruzeiro, eu falei: ‘nós vamos na goela deles’. Vamos pressionar lá em cima, botar a bola no chão. Se tomar o gol, beleza, continua o projeto. A responsabilidade é minha. E eles confiaram”, recorda o treinador.
O resultado dessa confiança é visível: o Mirassol virou sinônimo de intensidade e entrega, desafiando o domínio dos grandes e mostrando que, no futebol moderno, o talento coletivo vale mais do que qualquer estrela isolada.
“Hoje o maior valor do Mirassol é a forma de jogar”, resume Guanaes. “E isso ninguém tira da gente.”