Nordeste tem queda em choques, mas ainda concentra o maior número de mortes por eletricidade
Levantamento aponta queda nacional nas mortes por choque elétrico, mas aumento expressivo de incêndios causados por sobrecarga e fios irregulares
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O mais recente levantamento da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) revela um cenário preocupante no Nordeste, que permanece como a região com o maior número de mortes por choque elétrico no país. Apesar de uma leve redução em relação ao ano anterior, o índice de fatalidades continua alto e expõe fragilidades históricas nas instalações elétricas e no uso de materiais de baixa qualidade em residências e estabelecimentos comerciais.
De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, divulgado nesta semana, o Nordeste registrou 177 acidentes e 135 mortes por choque elétrico no primeiro semestre de 2025. No mesmo período de 2024, haviam sido 204 ocorrências e 173 óbitos. Mesmo com a queda de aproximadamente 20 por cento nas fatalidades, a região segue concentrando quase um terço de todas as mortes registradas no país.
Os dados nacionais mostram que, no total, o Brasil contabilizou 1.168 acidentes elétricos nos seis primeiros meses do ano, o que representa um aumento de 7,5 por cento em relação a 2024. O número de mortes, no entanto, caiu de 448 para 388, uma redução de 15 por cento. A Abracopel avalia que a tendência é positiva, mas ainda insuficiente diante da expansão dos incêndios de origem elétrica, que continuam em crescimento constante.
O relatório aponta que os incêndios provocados por sobrecarga e fiações irregulares saltaram de 467 para 632 entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2025, um aumento de 35 por cento. No Nordeste, o avanço foi de 104 para 125 registros. As residências seguem como o principal ambiente de risco: das 632 ocorrências no país, 302 aconteceram dentro de casas, e 20 das 21 mortes por incêndio também ocorreram nesses locais.
Para a Abracopel, o problema está diretamente ligado à comercialização de fios e cabos elétricos irregulares, responsáveis por boa parte das ocorrências. Estimativas indicam que cerca de 70 por cento dos produtos apreendidos no mercado brasileiro não atendem às normas técnicas de segurança. Em regiões de menor poder aquisitivo, como o interior do Nordeste, o uso desses materiais é ainda mais comum, o que amplia a probabilidade de curtos-circuitos e choques fatais.
Os especialistas alertam que a falta de manutenção nas redes elétricas, somada à informalidade na execução dos serviços e à ausência de dispositivos de proteção, aumenta consideravelmente o risco de acidentes. Em áreas urbanas e rurais, é comum encontrar instalações improvisadas, tomadas sobrecarregadas e fios expostos, condições que podem resultar em choques graves ou incêndios de grandes proporções.
A Abracopel reforça que os números do primeiro semestre não determinam a tendência final do ano, mas servem como indicativo de que o problema permanece. A entidade recomenda que consumidores e profissionais adotem medidas preventivas, como o uso de materiais certificados e a contratação de eletricistas qualificados. A associação também destaca a importância de campanhas educativas para conscientizar a população sobre os riscos da eletricidade e a necessidade de cuidados permanentes nas instalações.
Embora o país registre avanços pontuais, a situação do Nordeste evidencia que a segurança elétrica ainda está longe do ideal. A persistência de acidentes fatais e incêndios domésticos reforça o desafio de equilibrar crescimento urbano e infraestrutura segura em uma região que continua liderando as estatísticas nacionais de acidentes elétricos.