31 de julho de 2025
BRASÍLIA

Presidente da CPMI do INSS adverte: "Quem tentar transformar comissão em circo eleitoral será silenciado"

Senador Carlos Viana fez o alerta após depoimento acalorado de Onyx Lorenzoni, que dividiu a base e a oposição, e destacou os avanços da investigação, que já resultou em três prisões em flagrante

Por Redação
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O presidente da CPMI do INSS fez um balanço dos trabalhos: 23 reuniões, 24 depoimentos e 2.055 documentos recebidos, totalizando cerca de 200 gigabytes de informações - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), foi enfático ao afirmar que a comissão "não é espaço para discutir política e nem palanque de eleição". A declaração, dada nesta quinta-feira (6), ocorreu após o tenso depoimento do ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni, que acirrou os ânimos entre base governista e oposição, com acusações mútuas sobre fraudes nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um discurso contundente ao final da reunião, Viana emitiu um aviso claro aos parlamentares: “Esta presidência não vai permitir que a dor do povo brasileiro seja usada como espetáculo. Não há espaço para deboche, para a provocação, para desrespeito. Aqui o espaço só para uma coisa: a verdade”. Ele complementou, afirmando que quem tentar transformar a CPMI em um "circo eleitoral" enfrentará o "silêncio firme desta presidência" e o julgamento da população. Para o senador, a prioridade deve ser ouvir os operadores diretos das fraudes, que trarão mais resultados do que depoimentos de cunho meramente político.

Na avaliação do vice-presidente da comissão, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), o ex-ministro Onyx Lorenzoni deixou perguntas cruciais sem resposta. Ele citou como exemplo as evasivas de Lorenzoni sobre o envolvimento de seu filho, o advogado Pietro Lorenzoni, que atuava para uma das entidades investigadas. “A gente não pode negar que nessa organização criminosa foram utilizados filhos para desviar dinheiro dos aposentados, foram utilizadas esposas”, denunciou Duarte Jr., ressaltando que laços familiares não conferem imunidade contra práticas criminosas. O deputado, que revelou ter recebido ameaças, teve um pedido de proteção policial para si e sua família aprovado pela presidência da CPMI.

Ao fazer um balanço dos trabalhos, Carlos Viana apresentou números que dimensionam a extensão da investigação: 160 horas de trabalho, 24 reuniões e picos de 800 mil espectadores acompanhando as sessões pela TV Senado. A comissão já produziu 2.421 requerimentos, realizou 24 depoimentos, expediu 648 ofícios e recebeu 2.055 documentos, totalizando aproximadamente 200 gigabytes de dados. Os esforços já renderam três prisões em flagrante durante os depoimentos e mais 21 pedidos de prisão encaminhados às autoridades. “Cada número representa horas do nosso trabalho, noites sem sono e uma só missão: chegar à verdade”, declarou Viana, destacando os avanços concretos da apuração.