Castro e governadores de oposição criam “consórcio da paz” após 121 mortes no RJ
Reunião entre líderes estaduais discute integração de forças e troca de experiências após operação que deixou 121 mortos, a mais letal da história do país
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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta quinta-feira (30) a criação de um “consórcio da paz” junto a governadores de oposição ao governo federal, após a operação policial que deixou 121 mortos na cidade. A iniciativa pretende integrar estados na troca de informações, estratégias e possivelmente envio de tropas para enfrentar o crime organizado.
O encontro, realizado no Rio de Janeiro, reuniu governadores de Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e a vice-governadora do Distrito Federal, com a participação remota do governador de São Paulo. Castro defendeu que o consórcio busca soluções conjuntas para a segurança pública, negando qualquer caráter político na reunião.
Os detalhes operacionais do consórcio ainda não foram divulgados, mas Jorginho Mello (SC) adiantou que a iniciativa pode envolver integração de contingentes e inteligência entre estados, além da compra compartilhada de equipamentos. Castro destacou que o Rio tenta classificar organizações criminosas como “narcoterroristas”, um esforço para enquadrar atos violentos dentro da legislação antiterrorismo.
Governadores de esquerda não participaram da reunião, mas fontes afirmam que o consórcio pretende, futuramente, incluir todas as unidades federativas. Durante o encontro, críticas à gestão federal foram feitas, incluindo declarações de Romeu Zema (MG) sobre altos índices de homicídio no país.
A operação policial que motivou a reunião resultou em 121 mortes — quatro policiais e 117 suspeitos — tornando-se a mais letal da história do país, superando a chacina do Carandiru, em 1992. Foram realizadas 113 prisões e apreendidos 91 fuzis, entre outras armas e materiais.
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou que Castro e outros responsáveis prestem informações detalhadas sobre a operação, incluindo justificativas, número de mortos e feridos, bem como medidas de assistência às famílias, em audiência marcada para 3 de novembro.
*Com informações do UOL