31 de julho de 2025
No Rio de Janeiro

Deputados pedem investigação federal sobre megaoperação que deixou mais de 120 mortos

Comissão de Direitos Humanos da Câmara e Assembleia do Rio defendem perícia independente e acusam o Estado de violar direitos fundamentais durante a megaoperação

Por Redação
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Plenário da Câmara dos Deputados - Foto: Divulgação

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados vai solicitar a abertura de uma investigação federal para apurar as circunstâncias da megaoperação policial que deixou ao menos 121 mortos no Rio de Janeiro. O presidente da comissão, deputado Reymont (PT-RJ), defendeu que o caso seja analisado por uma perícia independente, sem ligação com o governo estadual, para garantir transparência no processo.

“Estamos diante de um crime de Estado. Quem matou esses jovens foi o Estado. Independentemente de quem sejam, são seres humanos — e o Brasil não tem pena de morte. O Estado não pode controlar todo o processo de apuração. Vamos pedir uma perícia federal”, afirmou Reymont.

O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), também integrante da comissão, apoiou o pedido de federalização das investigações, afirmando que a operação “parece ter um cunho político muito forte”.

“Foi uma operação desastrosa. Nossa obrigação agora é garantir que todas as investigações sejam conduzidas com independência. A Polícia Federal deve entrar no processo como uma força autônoma”, disse.

Na esfera estadual, a Comissão Especial de Favelas e Periferias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) também apresentou um pedido semelhante. A deputada Renata Souza (PSOL), presidente do colegiado, protocolou uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o deslocamento de competência das investigações e a preservação de todos os vestígios periciais e registros audiovisuais da operação.

“O que vimos no dia 28 de outubro não foi uma ação de segurança pública, mas um massacre que violou os direitos mais fundamentais da população favelada. A resposta das autoridades estaduais é inaceitável e demonstra a urgência de uma intervenção externa e imparcial”, declarou Renata.

A operação, batizada de Contenção, é considerada uma das mais letais da história do Rio e tem gerado forte repercussão entre parlamentares, organizações de direitos humanos e moradores das comunidades afetadas.

*Com Agência Brasil