Comissão de Direitos Humanos da Câmara pede prisão preventiva do governador do Rio após operação
Os deputados afirmam que há indícios de execuções sumárias e violações aos direitos humanos
Publicado em
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados encaminhou um ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitando a abertura de investigação criminal contra o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em razão da Operação Contenção, que deixou 119 mortos e se tornou a ação policial mais letal da história do país.
O documento pede ainda a adoção da medida de prisão preventiva do governador, argumentando haver “risco concreto à ordem pública, ao processo investigatório e possibilidade de repetição de novas chacinas”, além da “gravidade do ocorrido e do uso reiterado e distorcido do aparato estatal de segurança pública”.
O ofício foi assinado pelo presidente da comissão, deputado Reimont (PT-RJ), e por outros parlamentares de partidos de esquerda, entre eles Talíria Petrone e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Tadeu Veneri (PT-PR), Luiz Couto (PT-PB), Glauber Braga (PSOL-RJ), Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Os deputados afirmam que há indícios de execuções sumárias e violações aos direitos humanos. Segundo o texto, moradores e organizações da sociedade civil relataram que algumas vítimas teriam sido mortas com facadas e tiros pelas costas, o que, segundo os parlamentares, reforça a necessidade de uma perícia independente.
O grupo também pede a criação de um mecanismo de acompanhamento das vítimas, além do rastreamento e inventário oficial das armas apreendidas durante a operação.
A Comissão alega ainda que o governo estadual não aplicou integralmente os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), administrado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, e que a ação policial teria sido conduzida com viés político-eleitoral.
Cláudio Castro defendeu a operação, voltada contra o Comando Vermelho, e classificou o resultado como “um sucesso”. Segundo ele, a ação representou “um duro golpe na criminalidade”.
Em entrevista coletiva, o governador afirmou que “de vítima, ontem, só tivemos os policiais” e criticou o governo federal por não ter disponibilizado blindados militares para apoio às forças estaduais. O Ministério da Defesa respondeu que o envio de equipamentos depende de solicitação formal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que não foi feito pelo governo do Rio.
Castro declarou ainda que não pretende politizar o episódio: “Quem quiser somar com o Rio de Janeiro nesse momento é bem-vindo. Os outros, que querem fazer politicagem, nosso recado é: suma. Ou soma ou suma”.