INSS aposenta ex-ministro de Bolsonaro investigado por fraude bilionária
Ahmed Mohamad Oliveira, ex-presidente do órgão, é alvo de processo disciplinar da CGU por suposto envolvimento na “Farra do INSS”
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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu aposentadoria voluntária ao ex-ministro da Previdência Ahmed Mohamad Oliveira Andrade — anteriormente conhecido como José Carlos Oliveira — em meio às investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da CPMI do INSS. Ele é citado em apurações sobre um esquema que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas. A aposentadoria, solicitada antes da abertura formal do processo administrativo, foi oficializada no início de outubro e entrou em vigor nesta terça-feira (28/10).
Oliveira é servidor de carreira do INSS e ocupava o cargo de técnico do Seguro Social, com remuneração de R$ 11,7 mil mensais — valor que continuará recebendo integralmente como aposentado. Apesar de não ser alvo de busca e apreensão, ele é mencionado em movimentações financeiras suspeitas ligadas a um assessor de entidades investigadas na chamada “Farra do INSS”, que envolveu descontos indevidos nos benefícios de segurados. A CGU instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-ministro no dia 13 de outubro. Caso seja comprovado seu envolvimento no esquema, ele pode perder o direito à aposentadoria.
Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Ahmed Mohamad Oliveira ocupou cargos de destaque na Previdência: foi diretor de Benefícios, presidente do INSS e, posteriormente, ministro do Trabalho e Previdência. No período em que chefiou a Diretoria de Benefícios, o órgão firmou convênios com diversas associações que, segundo a Polícia Federal, serviram de base para o esquema de fraudes. Um de seus ex-auxiliares, Edson Akio Yamada, também é investigado e chegou a ser afastado da direção de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão.
A concessão da aposentadoria gerou críticas no Congresso. O deputado Alencar Santana (PT-SP), integrante da CPMI do INSS, afirmou que o ex-ministro estaria tentando escapar de possíveis punições. O parlamentar defendeu a suspensão do benefício e a aceleração das investigações. “Ele quer evitar a punição, mas continuar recebendo o que ajudou a desviar de milhões de brasileiros e brasileiras”, disse o deputado durante a sessão desta terça-feira.