31 de julho de 2025
Alagoas

Justiça torna réus donos de clínica onde morreu esteticista em Marechal Deodoro

Ministério Público denunciou casal por tortura, estupro e exercício ilegal da medicina; caso ganhou repercussão após suspeita de maus-tratos e irregularidades no funcionamento do local

Por Redação
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Justiça torna réus donos de clínica onde morreu esteticista em Marechal Deodoro - Foto: Foto: Reprodução TV Gazeta

A Justiça de Alagoas aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPAL) contra os proprietários do centro de reabilitação onde morreu a esteticista Cláudia Pollyane Faria de Santa’Anna, de 41 anos, em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. O caso, ocorrido em agosto deste ano, chamou atenção pública após familiares denunciarem sinais de violência no corpo da vítima e o funcionamento irregular da instituição.

Foram denunciados Maurício Anchieta de Souza e Jéssica da Conceição Vilela, donos da clínica voltada à recuperação de dependentes químicos. Eles vão responder pelos crimes de tortura, estupro e exercício ilegal da medicina. Jéssica, presa em flagrante no dia da ocorrência, também foi acusada de omissão. Maurício foi detido quase duas semanas após a morte de Cláudia.

Na decisão que recebeu a denúncia, o juiz determinou que os acusados sejam citados para apresentar defesa escrita em até dez dias, podendo indicar testemunhas e juntar documentos. Caso não constituam advogado, a Defensoria Pública assumirá a representação. O magistrado ainda ordenou a emissão das certidões de antecedentes criminais dos réus e a regularização da classe processual no sistema eletrônico do Judiciário.

Relembre o caso

Cláudia Pollyane morreu no dia 9 de agosto, enquanto estava internada na clínica de reabilitação. Segundo familiares, ao receber o corpo na UPA de Marechal Deodoro, constataram hematomas, olho roxo e outras marcas de agressão. A direção do local alegou que a paciente teria tido um surto de abstinência, sido medicada e, em seguida, encontrada morta pela manhã.

Um médico da UPA, no entanto, informou à família que a esteticista já estava sem vida havia pelo menos quatro horas quando deu entrada na unidade. Após a repercussão do caso, outras denúncias chegaram à polícia. Uma adolescente de 16 anos, internada no mesmo espaço, relatou ter sido abusada sexualmente pelo proprietário da clínica.

Com base nas investigações e nas novas denúncias, as autoridades interditaram o estabelecimento, que funcionava sem autorização sanitária e sem equipe médica adequada.