31 de julho de 2025
PARAÍBA

TJPB suspende júri de vereador preso por ameaças a testemunhas

Desembargador transferiu julgamento de Wagner de Bebé, acusado de tentativa de homicídio, citando "pânico social" e influência do parlamentar

Por Redação
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Wagner de Bebé (PSD) foi preso no dia 16 de outubro - Foto: Reprodução/Instagram @wagnerdebebe

O desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), determinou a suspensão do tribunal do júri do vereador de Santa Rita, Wagner de Bebé, que estava marcado para 12 de novembro. A decisão, tomada nesta sexta-feira (24), atende a um pedido do Ministério Público e baseia-se em relatos de ameaças a testemunhas, aos pais da vítima e à comunidade local. O julgamento, que trata de uma tentativa de homicídio ocorrida em 2016, será transferido para outra comarca, ainda não definida.

Em seu despacho, o desembargador destacou que a ascensão do acusado ao cargo de vereador ampliou sua influência e poder local, "irradiando temor" e criando uma "atmosfera de pânico social" no bairro Bebelândia, onde o crime ocorreu. A decisão relata que os pais da vítima, Eziel Felipe de Araújo, foram forçados a abandonar sua residência devido a ameaças de morte "persistentes e crescentes". A defesa do vereador contestou a decisão, classificando os argumentos como "improcedentes" e afirmando estar pronta para demonstrar a inocência do cliente.

Wagner de Bebé já se encontra preso no Presídio Especial Valentina de Figueiredo, mas não pelo caso de 2016. A prisão preventiva foi decretada devido à sua suspeita de envolvimento em um homicídio doloso ocorrido no dia 13 de outubro deste ano. De acordo com a Polícia Civil, o jovem Luis Felipe foi morto naquele dia, após ter sofrido uma tentativa de homicídio em 12 de outubro. Durante a operação que prendeu o parlamentar, duas armas de fogo foram apreendidas em seu veículo e serão periciadas para verificar possível uso no crime.

O vereador passou por duas audiências de custódia: uma pela investigação do homicídio, que resultou na conversão da prisão temporária em preventiva, e outra por porte ilegal de arma, que manteve a prisão temporária. Enquanto aguarda a definição da nova data e local para o julgamento do caso de tentativa de homicídio, ele responde simultaneamente aos dois processos criminais.