31 de julho de 2025
datafolha

Pesquisa aponta que 28,5 milhões de brasileiros convivem com facções ou milícias em seus bairros

O número representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando 14% dos entrevistados (cerca de 23 milhões) faziam a mesma afirmação

Por Redação
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O número representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando 14% dos entrevistados (cerca de 23 milhões) faziam a mesma afirmação - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um levantamento do Datafolha encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) aponta que 19% da população brasileira – o equivalente a 28,5 milhões de pessoas – relata conviver com a presença de facções criminosas ou milícias em seu bairro. O número representa um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando 14% dos entrevistados (cerca de 23 milhões) faziam a mesma afirmação.

O estudo, realizado entre 2 e 6 de junho com 2.007 pessoas em 130 municípios, mostra que o problema atinge de forma mais acentuada regiões metropolitanas, cidades grandes e a região Nordeste. A presença do crime organizado foi relatada de forma similar em diferentes classes de renda, afetando tanto quem recebe até dois salários mínimos (19%) quanto aqueles com renda de cinco a dez salários (18%).

Problemas associados e violência policial


Quem convive com o crime organizado também relata maior exposição a outros problemas. Entre esses entrevistados, 27% conhecem cemitérios clandestinos na região (ante 16% na população geral) e quatro em cada dez afirmam encontrar cracolândias em seus trajetos cotidianos.

A pesquisa também abordou a violência policial: 16% dos entrevistados disseram já ter presenciado abordagens truculentas da Polícia Militar. O índice sobe para 25% entre jovens de 16 a 24 anos.

Outros dados relevantes


- Desaparecimentos: 8% dos entrevistados (cerca de 13,4 milhões de pessoas) relataram ter tido parentes ou conhecidos desaparecidos, com maior incidência nas classes D e E.

- Vigilância privada ilegal: 21% afirmam que a prática de policiais oferecendo segurança privada é comum em seu bairro – alta em relação aos 18% registrados em 2024.

- Desigualdade racial: Pessoas pretas são as mais afetadas – 23% confirmam a convivência com o crime organizado, contra 13% entre brancos.

Os dados revelam a expansão e a consolidação do crime organizado no território nacional, com impactos diretos na percepção de segurança e na qualidade de vida da população.