CPMI do INSS ouve assessor da Conafer e debate convocação de Frei Chico, irmão de Lula
Relator Alfredo Gaspar pede prisão de presidente do Sindnapi; comissão analisa 101 requerimentos, incluindo quebra de sigilo do ex-ministro Carlos Lupi
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A CPMI das Fraudes no INSS realiza nesta quinta-feira (16) uma reunião crucial onde deve ouvir o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A entidade é uma das investigadas por supostamente filiar aposentados sem autorização e cobrar mensalidades indevidas.
Cícero Marcelino, alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, é suspeito de receber valores das mensalidades ilegais da Conafer. Em depoimento anterior, o presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, afirmou que o assessor prestava serviços diversos à organização, incluindo "locações de veículos, compra de sêmen, compra de insumos para melhoramento genético e fornecimento de brinquedos" para eventos natalinos.
Um dos pontos mais sensíveis da pauta é a possível convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi. O senador Izalci Lucas (PL-DF) defende a convocação para esclarecer o "assombroso crescimento na arrecadação" da entidade, que saltou de R$ 23,3 milhões em 2020 para R$ 154,7 milhões em 2024.
Já parlamentares da base governista buscam equilibrar as investigações com pedidos de convocação de outros envolvidos, como Philipe Roters Coutinho, agente da PF acusado de participar das fraudes, e Thiago Schettini, apontado como facilitador dos esquemas.
O relator Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou pedido de prisão preventiva contra Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindnapi, por comandar suposto "esquema criminoso que desviou milhões de reais". A comissão também analisa a quebra de sigilos do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, incluindo e-mail institucional, celular pessoal e dados bancários.
No total, os parlamentares debatem 101 requerimentos que incluem convocações de outras 14 pessoas e quebra de sigilo fiscal de quatro pessoas e 13 empresas, com possível envolvimento do Coaf na análise de transações suspeitas.