STF inicia julgamento de militares e civis acusados de integrar "núcleo de desinformação" com leitura de relatório
Sete réus, incluindo cinco militares, são acusados de disseminar notícias falsas e coordenar ataques virtuais para manter Bolsonaro no poder
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu início nesta terça-feira ao julgamento do Núcleo 4 da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O grupo, composto por sete réus - incluindo cinco militares da ativa e da reserva - foi classificado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como o "núcleo de desinformação" responsável por propagar sistematicamente notícias falsas sobre o processo eleitoral e coordenar ataques virtuais contra instituições e autoridades.
“Os réus propagaram sistematicamente notícias falsas sobre o processo eleitoral e realizaram ataques virtuais a instituições e também a autoridades que ameaçavam os interesses da organização criminosa”, resumiu Moraes a respeito da denúncia.
Entre os acusados estão o major da reserva Ailton Gonçalves Moraes Barros, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu e o presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. De acordo com a denúncia, o grupo montou uma "Abin Paralela" para monitorar adversários políticos e promoveu campanhas de difamação contra comandantes militares para pressioná-los a aderir aos planos golpistas.
O julgamento na Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia, deve se estender por quatro sessões, com previsão de conclusão em 22 de outubro. Este é o segundo núcleo a ser julgado no processo do golpe, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros seis integrantes do Núcleo 1, considerado o "crucial" da organização criminosa.