31 de julho de 2025
Humanidade

Expectativa de vida global volta a níveis pré-pandemia, mas desigualdades e riscos emergem

Apesar dos avanços gerais, a taxa de mortalidade entre adolescentes e jovens adultos aumentou em várias regiões do mundo

Por Redação
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Expectativa de vida varia bastante entre regiões: chega a 83 anos em países de alta renda, mas não passa de 62 na África Subsaariana - Foto: (Unsplash)

A expectativa de vida no mundo voltou aos níveis anteriores à pandemia de Covid-19, revela estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME), da Universidade de Washington, publicado neste domingo (13) na revista The Lancet. Em 2023, a média global foi de 76,3 anos para mulheres e 71,5 anos para homens.

Segundo o levantamento, a humanidade vive hoje, em média, 20 anos a mais do que em 1950. No entanto, o estudo alerta para profundas desigualdades regionais e um aumento preocupante da mortalidade entre adolescentes e jovens adultos em algumas partes do mundo.

A pandemia causou uma queda temporária na longevidade, mas a Covid-19 já deixou de figurar entre as principais causas de morte — caiu da 1ª posição em 2021 para a 20ª em 2023. Doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs, voltaram ao topo do ranking global.

O estudo indica uma mudança no perfil das causas de morte: doenças não transmissíveis agora representam dois terços da mortalidade global, superando infecções como sarampo, diarreia e tuberculose, cujos índices caíram drasticamente. Porém, aumentaram os casos de diabetes, doenças renais crônicas e Alzheimer.

Fatores de risco evitáveis

A pesquisa destaca que cerca de metade da carga global de doenças é evitável e está ligada a fatores de risco modificáveis. Entre os principais estão: pressão alta, tabagismo, colesterol elevado, diabetes, obesidade, poluição, exposição ao chumbo, além de condições relacionadas à gravidez e parto.

Entre 2010 e 2023, o impacto do excesso de peso aumentou 11% e o do alto nível de açúcar no sangue cresceu 6%.

Mortalidade entre jovens preocupa

Apesar dos avanços gerais, a taxa de mortalidade entre adolescentes e jovens adultos aumentou em várias regiões. Na América do Norte de alta renda, por exemplo, houve aumento nas mortes de pessoas entre 20 e 39 anos, causadas principalmente por suicídio, overdose de drogas e abuso de álcool.

Também cresceram os óbitos entre jovens de 5 a 19 anos no Leste Europeu, Caribe e África Subsaariana — nesses últimos casos, devido a doenças infecciosas e lesões não intencionais.

Já entre crianças de 5 a 14 anos, a deficiência de ferro é o principal fator de risco, seguida por problemas relacionados à água contaminada, saneamento precário e desnutrição.

Desigualdade e cortes na ajuda global

A expectativa de vida varia bastante entre regiões: chega a 83 anos em países de alta renda, mas não passa de 62 na África Subsaariana. Para os pesquisadores, essa disparidade tende a aumentar caso persistam os cortes na ajuda internacional.

“Décadas de avanços estão ameaçadas”, alertou a pesquisadora Emmanuela Gakidou, uma das autoras do estudo. “Países mais pobres dependem de financiamento global para garantir acesso a vacinas, medicamentos e cuidados primários de saúde.”

O diretor do IHME, Christopher Murray, reforça que os dados devem servir como alerta: “A saúde global enfrenta uma nova era de desafios. É urgente que líderes se adaptem e priorizem políticas públicas eficazes para proteger a população, especialmente os jovens.”