Censo 2022 revela que 53,3% da população em idade ativa estava ocupada, com queda em relação a 2010
Dados divulgados pelo IBGE mostram renda média de R$ 2.851 e aumento do trabalho por conta própria
Publicado em
O nível de ocupação da população brasileira com 14 anos ou mais era de 53,3% em 2022, segundo dados do Censo Demográfico divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE. O resultado representa uma redução em relação a 2010, quando a taxa era de 55,5%, refletindo os efeitos da pandemia de COVID-19 e a recuperação ainda em curso da economia na época da pesquisa.
A renda média do trabalhador brasileiro foi de R$ 2.851 mensais, mas 35,3% da população ocupada recebia no máximo um salário mínimo (R$ 1.212 em 2022). Embora a maioria (57%) se concentrasse na faixa de 1 a 5 salários mínimos, a parcela com renda superior a 5 salários caiu de 9,6% em 2010 para 7,6% em 2022.
O mercado de trabalho apresentou transformações significativas na comparação entre os dois Censos. Os empregados representavam 69,2% em 2022 – quase 5 pontos percentuais a menos que em 2010. Em contrapartida, os trabalhadores por conta própria passaram de 22,4% para 26,7%, e a proporção de empregadores subiu de 2,1% para 3,3%.
As regiões Sul (60,3%), Centro-Oeste e Sudeste superaram a média nacional de ocupação, enquanto Norte (48,4%) e Nordeste (45,6%) ficaram abaixo da metade. A renda média mensal variou de R$ 2.015 no Nordeste a R$ 3.292 no Centro-Oeste, evidenciando fortes contrastes regionais. Dos 520 municípios com rendimento médio abaixo de um salário mínimo, os 10 menores estavam no Nordeste; já os 19 com renda acima de 4 salários mínimos localizavam-se no Sul e Sudeste.
A pesquisa também confirmou a relação entre escolaridade e renda: trabalhadores com ensino superior completo recebiam R$ 5.796, em média, cerca de R$ 3.500 a mais que os que tinham apenas o ensino médio. O rendimento do trabalho respondeu por 75,5% da renda domiciliar, reforçando sua centralidade na economia das famílias.