Conta de luz impulsiona inflação em setembro, com maior alta para a habitação desde 1995
Enquanto a luz subiu, os preços de alimentos e bebidas caíram 0,26% em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de deflação no grupo
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A inflação oficial, medida pelo IPCA, acelerou para 0,48% em setembro, pressionada principalmente pelo fim do Bônus Itaipu e pela bandeira tarifária vermelha na conta de luz. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (9) pelo IBGE, reverte a deflação de agosto (-0,11%) e representa a maior alta desde março. Nos últimos 12 meses, o índice acumula 5,17%, ultrapassando o limite máximo da meta do governo, de 4,5%.
O grupo habitação foi o que mais impactou a inflação em setembro, com alta de 2,97% – a maior para o mês de setembro desde 1995. Sozinho, o item energia elétrica residencial subiu 10,31%, respondendo por 0,41 ponto percentual do IPCA do mês. Segundo o IBGE, sem a alta da luz, a inflação de setembro teria ficado em apenas 0,08%.
A alta na conta de luz reflete o fim do desconto do Bônus Itaipu, que havia beneficiado 80,8 milhões de consumidores em agosto, e a vigência da bandeira vermelha patamar 2, que adicionou R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos. Em 12 meses, a energia elétrica acumula alta de 10,64%.
Queda nos alimentos
Enquanto a luz subiu, os preços de alimentos e bebidas caíram 0,26% em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de deflação no grupo. Itens como tomate (-11,52%), cebola (-10,16%), alho (-8,70%) e batata-inglesa (-8,55%) puxaram a baixa, reflexo de maior oferta no campo.
Serviços e itens monitorados
A inflação de serviços, indicador relacionado à atividade econômica, ficou em 0,13%. Já os preços monitorados pelo governo – como energia, combustíveis e planos de saúde – subiram 1,87% no mês. De acordo com o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, a inflação de serviços tende a ser mais resistente, influenciada pelo aquecimento do mercado de trabalho.
Para outubro, a volta da bandeira vermelha patamar 1 (R$ 4,46 a cada 100 kWh) pode aliviar a pressão sobre a luz, mas reajustes tarifários previstos em capitais como São Paulo, Brasília e Goiânia ainda podem influenciar o resultado.