Recife testa IA para melhorar inglês de alunos da rede pública
Projeto-piloto utiliza WhatsApp para desenvolver escrita, fala e fluência de estudantes em intercâmbio internacional
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Alunos da rede pública do Recife começaram a usar uma ferramenta de inteligência artificial (IA) que transforma o WhatsApp em tutor de inglês. O projeto, parte dos programas Ganhe o Mundo e Recife no Mundo, oferece correção em tempo real e simula diálogos para preparar jovens para intercâmbios em 2026.
O aplicativo, desenvolvido pela startup americana Jinso Labs, permite que estudantes pratiquem listening, speaking, reading e writing a qualquer hora, sem necessidade de downloads ou equipamentos especiais. A tecnologia corrige gramática e pronúncia durante conversas por voz ou chat, tornando o aprendizado mais acessível mesmo em regiões com infraestrutura limitada.
No Recife, a Escola Municipal Maria Sampaio de Lucena, no Ibura, foi uma das primeiras a testar o sistema. A gestora do programa municipal, Renata Serpa, afirma que a IA atua como apoio aos professores, ajudando os alunos a ganhar confiança e desenvolver comunicação prática antes do intercâmbio. Atualmente, mil estudantes e 50 professores participam das aulas complementares, sendo que 100 alunos e 10 docentes serão selecionados para viagens ao Canadá, Estados Unidos e Inglaterra.
Na rede estadual, a ferramenta integra o programa Ganhe o Mundo em três escolas, com embarques previstos para novembro. Paulo Dutra, secretário executivo de Ensino Médio e Educação Profissional, destaca que a plataforma permite ao aluno treinar repetidamente, corrigindo erros de forma contínua — liberdade que a sala de aula tradicional nem sempre oferece.
Professores, como Gildean Araújo da Eremt em Timbaúba, ressaltam que a IA não substitui os docentes, mas democratiza o aprendizado: “É uma conversa no WhatsApp que se transforma em aula. O aluno treina em qualquer hora do dia e o ensino se torna mais acessível”, afirma.
O interesse da Jinso Labs em Pernambuco se explica pelo polo tecnológico e o ecossistema de inovação do Porto Digital, referência internacional. Para Jay Gopalan, CEO da startup e formado em Harvard, a ferramenta reproduz a imersão real no idioma, estratégia que ele testou ao estudar coreano e percebeu ser mais eficaz do que anos de estudo teórico. Hoje, a empresa atua em 18 países, incluindo México, Colômbia, Argentina, Canadá e Estados Unidos.