Empresa de ex-miss é condenada a pagar R$ 1,6 mi por trabalho análogo à escravidão
Vinte trabalhadores foram resgatados em condições degradantes durante extração de lenha; entre as vítimas estava um adolescente de 17 anos
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A empresa da ex-miss Mato Grosso Taiany França Zimpel e proprietários de uma fazenda no interior do estado foram condenados a pagar R$ 1,6 milhão por submeterem 20 trabalhadores a condições análogas à escravidão. Os funcionários foram resgatados em setembro durante uma operação de extração de lenha na zona rural de Nova Maringá, em uma ação conjunta de quatro órgãos federais e estaduais.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso (MPT-MT), as vítimas - incluindo um adolescente de 17 anos - enfrentavam condições extremamente degradantes. Os trabalhadores dormiam em alojamentos improvisados, com treze deles dividindo colchões velhos sobre tábuas em barracos de lona, enquanto outros repousavam em redes próximas a tambores de óleo combustível. O local não disponibilizava água potável, os banhos eram realizados em um córrego de água turva e as refeições eram escassas, obrigando alguns a complementarem a alimentação com açaí e caça de animais silvestres.
A situação era agravada pela presença de homens armados que circulavam pela propriedade, inibindo qualquer tentativa de fuga. Nenhum trabalhador possuía carteira assinada, recebia salários regulares ou dispunha de equipamentos de proteção individual. O valor da condenação será destinado ao pagamento de verbas trabalhistas (R$ 418 mil), danos morais individuais (R$ 10 mil para cada vítima) e dano moral coletivo (R$ 1 milhão), este último revertido ao Projeto Ação Integrada, que auxilia na reinserção social de trabalhadores resgatados em condições semelhantes.