31 de julho de 2025
Medidas protetivas

Governo cria comitê para enfrentar crise de bebidas contaminadas por metanol

Medida busca ações repressivas contra adulteradores e proteção para o setor de bebidas, fundamental para a economia brasileira

Por Redação
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Intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. A substância, ao ser metabolizada, gera produtos tóxicos - Foto: Arte/Agência Brasil

O governo federal instituiu um comitê, em parceria com a sociedade civil, para enfrentar os problemas das bebidas contaminadas por metanol. A iniciativa prevê ações repressivas contra quem adulterou bebidas e medidas protetivas para o setor legal, considerado pelo governo de grande importância para a economia do país.

O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, após reunião com autoridades e representantes da indústria de bebidas. Segundo ele, o comitê será informal, voltado para a troca de informações sobre boas práticas e providências adotadas pelo setor público e privado, com objetivo de solução rápida para o problema. 

“Em um país continental como o nosso, com 210 milhões de habitantes e realidades regionais distintas, o governo precisa conjugar esforços com iniciativa privada e sociedade civil para enfrentar os problemas que surgem”, afirmou Lewandowski.

Separar irregularidades do setor legal

O ministro destacou que a questão das bebidas contaminadas também configura uma crise econômica, já que o setor gera empregos, paga impostos e contribui para o desenvolvimento. 

“Precisamos separar o joio do trigo: atacar comerciantes que adulteram intencionalmente e preservar quem atua dentro da legalidade”, reforçou.

A reunião contou com dirigentes da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) e Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

Segundo o secretário nacional do Consumidor, Paulo Pereira, dezenas de estabelecimentos já foram notificados e estão sob análise. O objetivo é obter informações sobre aquisição e distribuição de bebidas, além de dados sobre possíveis vítimas. 

“Até agora, 15 estabelecimentos foram notificados, com mais 15 identificados recentemente, além de cerca de 25 distribuidoras e associações do setor”, disse Pereira.

Alguns locais foram fechados por fiscalizações locais. O trabalho agora se concentra em inteligência, identificando padrões e fornecedores com maior risco de adulteração. O secretário ressaltou a colaboração do setor para diferenciar fornecedores legalizados de ilegais e o uso de testes rápidos e pesquisas para garantir a qualidade das bebidas.

Lewandowski afirmou que todas as hipóteses, inclusive o possível envolvimento de organizações criminosas, estão sendo investigadas. Linhas de investigação incluem a origem do metanol, que pode ser vegetal ou fóssil, e incidentes como caminhões abandonados contendo combustível.

Riscos à saúde

A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. A substância, ao ser metabolizada, gera produtos tóxicos como formalidade e ácido fórmico, que podem causar morte.

Sintomas principais incluem visão turva ou perda de visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese. Pessoas que apresentarem sinais devem procurar imediatamente atendimento médico e contatar instituições como: Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001 / CIATox da cidade local / Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733.

É essencial identificar possíveis contatos que consumiram a mesma bebida e orientá-los a buscar atendimento imediato, evitando desfechos graves.