31 de julho de 2025
saúde pública

Vacina contra HPV reduz em 58% os casos de câncer do colo do útero no Brasil, aponta estudo da Fiocruz

Imunização disponível no SUS protege contra até 98% dos tipos mais perigosos do vírus

Por Redação
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Imunização disponível no SUS protege contra até 98% dos tipos mais perigosos do vírus - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Um estudo abrangente realizado com dados de mais de 60 milhões de mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2023 comprovou o impacto significativo da vacinação contra o HPV na redução do câncer do colo do útero no Brasil. A pesquisa, conduzida por cientistas da Fiocruz com apoio da Royal Society e do CNPq, foi publicada na renomada revista The Lancet.

Os resultados mostram que a vacina contra o HPV reduziu em 58% os casos de câncer do colo do útero e em 67% as lesões pré-cancerosas graves (NIC3) entre mulheres de 20 a 24 anos. O efeito protetor foi consistente mesmo antes da idade recomendada para início do rastreamento (25 anos).

"O impacto observado no Brasil confirma que a vacinação contra o HPV é eficaz não apenas em países de alta renda, mas também em contextos com recursos limitados", destacaram os pesquisadores Thiago Cerqueira-Silva, Manoel Barral-Netto e Viviane Sampaio Boaventura, autores do estudo.

Desde 2014, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece a vacina gratuitamente pelo SUS. Em 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única, seguindo as mais recentes evidências científicas. Para 2025, estão previstas novas diretrizes que ampliarão a vacinação para adolescentes de 15 a 19 anos e grupos prioritários.

O câncer do colo do útero ainda é o segundo mais comum entre mulheres brasileiras e uma das principais causas de mortalidade feminina. Estima-se que 50% a 70% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. A vacina disponível no SUS protege contra até 98% dos tipos mais perigosos do vírus.

A vacinação está disponível gratuitamente em unidades básicas de saúde para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos especiais como pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos de até 45 anos.