Ministério Público de São Paulo denuncia 20 pessoas por falsificação de bebidas
Operação prendeu principal fornecedor de insumos para adulteração no estado
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 20 pessoas – 11 homens e 9 mulheres – por integrarem uma organização criminosa especializada na falsificação de bebidas alcoólicas no estado. O grupo foi preso em flagrante no último dia 23 de setembro, durante uma operação da Polícia Civil de Santo André que investigava receptação e adulteração de produtos para distribuição na região.
De acordo com o promotor Felipe Ribeiro Santa Fé, havia no esquema uma "clara divisão de tarefas, demonstrando a estabilidade e permanência da associação criminosa". Entre os denunciados está apontado como o principal fornecedor de insumos para falsificação de bebidas em São Paulo. No local das buscas, os policiais encontraram uma linha de produção ilegal, com garrafas, rótulos, tampas e equipamentos usados para manipular e armazenar os produtos falsificados.
A ação que resultou nas denúncias ocorreu três dias antes do alerta nacional sobre intoxicações por metanol, emitido pelo Ministério da Justiça em 26 de setembro. É importante destacar que não há comprovação de que este grupo específico utilizava metanol em suas falsificações. As investigações sobre esse lote focavam em crimes de receptação e adulteração para revenda.
A denúncia ocorre em um momento de alerta sanitário no estado. O governo paulista confirmou 14 casos de intoxicação por metanol e duas mortes, com outros 178 casos e sete óbitos sob investigação. As principais linhas de apuração da Polícia Civil são o uso de metanol para limpeza de garrafas reutilizadas ou para aumentar o volume de bebidas adulteradas.
Em nível nacional, o Ministério da Saúde recebeu 217 notificações de suspeita de intoxicação por metanol relacionadas a bebidas alcoólicas, com 17 casos confirmados e 200 em investigação. O governo estadual ressalta que as operações de combate à falsificação realizadas este ano – que já prenderam 41 pessoas – não possuem relação direta entre si ou com o crime organizado, sendo investigações independentes.