Quem matou Odete Roitman? Saiba tudo sobre o capitulo de novela que parou o Brasil
Décadas depois, com o remake da trama, o caso volta a ser lembrado como um dos momentos mais marcantes da história da TV brasileira.
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Em 1988, o Brasil inteiro parou diante da televisão para saber: quem matou Odete Roitman? O mistério de Vale Tudo, novela escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, virou assunto nacional, dominou as conversas e até inspirou campanhas publicitárias. Décadas depois, com o remake da trama, o caso volta a ser lembrado como um dos momentos mais marcantes da história da TV brasileira.
Na época, o último capítulo da novela registrou audiência recorde: 86 pontos no Ibope na sexta-feira (23 de dezembro) e 81 no sábado, véspera de Natal. O país inteiro queria descobrir quem havia assassinado a poderosa vilã interpretada por Beatriz Segall.
A lista de suspeitos era grande: Marco Aurélio (Reginaldo Faria), Maria de Fátima (Gloria Pires), Raquel (Regina Duarte), Ivan (Antonio Fagundes) e vários outros personagens. Ninguém imaginava que a verdadeira assassina seria Leila (Cássia Kis).
O suspense foi tanto que a marca Maggi lançou uma campanha convidando o público a enviar palpites pelo correio. Quem acertasse participava de um sorteio com prêmios de até 5 milhões de cruzados. O mordomo Eugênio (Sérgio Mamberti) era o principal suspeito entre os telespectadores — e, claro, quase ninguém apostou em Leila.
O dia em que a vilã “não morreu”
O capítulo da morte de Odete estava previsto para ir ao ar em 23 de dezembro de 1988, mas a Globo resolveu adiar a cena para o dia seguinte, véspera de Natal. O público ficou frustrado, e até os autores foram pegos de surpresa. “A novela é da Globo, e ela faz o que quiser”, chegou a comentar Aguinaldo Silva.
O motivo do adiamento virou lenda. A explicação mais popular foi comercial: uma empresa de seguros, a Codiseg, teria pago cerca de 800 milhões de cruzados para adiar o capítulo e vincular a imagem de Beatriz Segall a uma campanha publicitária com o slogan “Faça seguro. A gente nunca sabe o dia de amanhã”.
A propaganda, que mostrava a atriz elegante e misteriosa, sem citar a personagem, ficou famosa — e virou um “case” de marketing lembrado até hoje.
Os bastidores da decisão
Com o tempo, outras versões surgiram. A Globo negou que o adiamento tivesse sido por dinheiro e afirmou que a decisão foi técnica, para melhorar a edição e aumentar o suspense.
O autor Aguinaldo Silva confirmou que o capítulo de sexta havia ficado muito longo e que, por isso, a cena foi transferida.
O publicitário Washington Olivetto contou anos depois que ligou pessoalmente para Beatriz Segall para convidá-la para o anúncio:
“Achei o texto tão inteligente que aceitei na hora. Inclusive, cobrei muito pouco — podia ter cobrado muito mais”, relembrou a atriz, em tom bem-humorado.
Um momento que marcou a TV
Independentemente dos bastidores, a morte de Odete Roitman virou um marco cultural. O bordão “Quem matou Odete Roitman?” atravessou gerações e se tornou sinônimo de suspense, mistério e televisão de impacto.
A cena, a repercussão e a mistura entre ficção e publicidade mostraram a força que uma novela podia ter na vida dos brasileiros — e por que Vale Tudo segue, até hoje, como uma das maiores produções da história da TV.