31 de julho de 2025
panorama

Pesquisa revela que uma em cada seis crianças até 6 anos já sofreu racismo no Brasil

Creches e pré-escolas são os locais onde mais ocorrem casos de discriminação racial, aponta estudo nacional encomendado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Por Redação
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Imagem ilustrativa - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Uma pesquisa nacional encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal ao Datafolha revela dados alarmantes sobre o racismo na primeira infância: uma em cada seis crianças de até 6 anos já foi vítima de discriminação racial no Brasil. O estudo "Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo", divulgado nesta segunda-feira (6), ouviu 2.206 pessoas, sendo 822 responsáveis por crianças na faixa etária de 0 a 6 anos.

Os dados coletados em abril deste ano mostram que 16% dos cuidadores relatam que as crianças sob sua responsabilidade já sofreram racismo. A discriminação é ainda mais evidente quando se analisa o perfil racial dos próprios responsáveis: entre crianças cuidadas por pessoas pretas ou pardas, o índice sobe para 19%, enquanto entre aquelas com responsáveis brancos a porcentagem é de 10%.

As creches e pré-escolas aparecem como os locais onde mais ocorrem casos de discriminação racial, sendo citados por 54% dos entrevistados. Deste total, 61% dos casos acontecem na pré-escola e 38% nas creches. Outros espaços onde o racismo se manifesta incluem locais públicos (42%), vizinhança (20%), ambiente familiar (16%) e espaços privados como shoppings e clubes (14%).

Segundo Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, "a escola é o primeiro espaço de socialização da criança, é onde ela passa grande parte do tempo e que deveria ser de proteção". Ela enfatiza a necessidade de combater o racismo desde o berço, destacando que "é muito crítico a gente combater o racismo desde o berço, sobretudo nessa fase da vida que é onde o maior pico de desenvolvimento está acontecendo".

A pesquisa também investigou a percepção dos responsáveis sobre o racismo: 63% acreditam que pessoas pretas e pardas são tratadas de forma diferente devido a características físicas, enquanto 22% consideram raro que crianças na primeira infância sejam vítimas desse crime.

O estudo alerta que o racismo na primeira infância tem impactos significativos no desenvolvimento infantil, configurando-se como uma experiência adversa que expõe a criança ao estresse tóxico e interfere em sua saúde física e socioemocional. Especialistas defendem que as escolas implementem protocolos claros para lidar com essas situações, incluindo formação adequada para todos os profissionais da educação e a efetiva aplicação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira em todas as etapas de ensino.

O racismo é crime inafiançável e imprescritível no Brasil, conforme estabelece a Lei nº 7.716/1989. As vítimas devem registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil e preservar todas as evidências do crime.