31 de julho de 2025
DENÚNCIA

Influenciadoras são acusadas de promoverem falso programa de trabalho na Rússia que escondia rede de exploração

"Alabuga Start" usou criadoras de conteúdo como MC Thammy para recrutar brasileiras com salários em dólar, mas empresa tem histórico internacional de condições degradantes e fabricação de armamentos

Por Redação
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MC Thammy, Isabella Duarte e Catherine Bascoy fizeram divulgação de suposto programa de tráfico humano - Foto: Reprodução

Uma rede de recrutamento internacional com histórico de exploração laboral tentou atrair jovens brasileiras para a Rússia através de influenciadoras digitais que promoveram o suposto "Start Program". Nomes como MC Thammy, Isabella Duarte, Zabetta Macarini, Catherine Bascoy e Aila Loures divulgaram a proposta que oferecia salários entre US$ 540 e US$ 680 (R$ 2,9 mil a R$ 3,6 mil), passagens aéreas, moradia e cursos de capacitação para mulheres de 18 a 22 anos. Após denúncias de criadores de conteúdo como Guga Figueiredo e Jordana Vucetic, os vídeos promocionais foram removidos e a conta da empresa no Instagram foi banida.

Investigações revelaram que o programa, na verdade chamado Alabuga Start, é uma agência sem registro no Brasil, CNPJ ou telefone local, que utiliza sites com conteúdo gerado por inteligência artificial e informações falsas. De acordo com relatórios da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), mulheres recrutadas em países como Uganda, Quênia e Nigéria enfrentaram jornadas exaustivas, vigilância constante e condições degradantes de trabalho, incluindo produção de armamentos e drones militares.

Histórico internacional de exploração

Localizada no Tartaristão, Rússia, a Alabuga Start já foi alvo de múltiplas denúncias internacionais por falsas promessas de crescimento profissional e cursos. As jovens recrutadas em outros países relataram serem submetidas a exploração laboral severa, com riscos à saúde e segurança, em serviços que iam desde limpeza até produção bélica. No Brasil, o modus operandi se repetiu: usar influenciadoras para dar credibilidade a um programa de intercâmbio com salários atrativos, sem qualquer autorização legal para operar no país. Até o momento, não há registros de que a empresa possua permissão para recrutar trabalhadoras brasileiras.