Concursados em PE ocupam vagas de cotistas no curso de Medicina da Ufal, apontam denúncias
Candidatos que teriam se matriculado no curso de Medicina, em Maceió, utilizaram vagas destinadas a pessoas de baixa renda, mesmo sendo servidores concursados com salários bem acima do limite previsto pelas regras
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Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) e registrada na ouvidoria do Governo Federal, por meio do sistema Fala BR, levanta suspeitas de fraudes no sistema de cotas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O caso envolve candidatos que teriam se matriculado no curso de Medicina, em Maceió, utilizando vagas destinadas a pessoas de baixa renda, mesmo sendo servidores concursados com salários bem acima do limite previsto pelas regras.
Segundo os documentos enviados ao MPF, uma das estudantes é funcionária pública em Pernambuco, com remuneração de aproximadamente R$ 5,5 mil, valor superior ao limite de um salário mínimo per capita permitido. Outro caso apontado é o de um policial civil pernambucano, com salário em torno de R$ 11 mil mensais, que também teria ingressado como cotista de baixa renda.
De acordo com as regras da política de cotas, a ocupação das vagas deve ser feita por pessoas que se enquadram no perfil socioeconômico exigido e a denúncia aponta que a suposta fraude acaba prejudicando candidatos da lista de espera, que de fato atendem aos critérios da política afirmativa.
O caso foi registrado no Fala BR sob o protocolo nº 23546.097431/2025-85 e formalizado no MPF sob o nº 20250065150/2025 – autuação 1.11.000.001270/2025-65.
A Francês News tenta contato com a UFAL e o Ministério Público para acompanhar o caso. Em respostas publicadas pelo blog Política na Pauta, do portal Já É Notícia, a Ufal confirmou a abertura de processo administrativo para investigar as possíveis irregularidades. Segundo a publicação, não há, no entanto, prazo para a conclusão da análise. A Comissão Permanente do Vestibular (Copeve) informou que a decisão caberá à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd).
A demora no posicionamento da instituição preocupa estudantes que aguardam na lista de espera. O prazo de resposta da manifestação no sistema Fala BR foi prorrogado para 30 de outubro de 2025, impactando diretamente estudantes que anseiam pela vaga, já que o semestre letivo tem início no próximo dia 6 de outubro.