31 de julho de 2025
ALAGOAS

Concursados em PE ocupam vagas de cotistas no curso de Medicina da Ufal, apontam denúncias

Candidatos que teriam se matriculado no curso de Medicina, em Maceió, utilizaram vagas destinadas a pessoas de baixa renda, mesmo sendo servidores concursados com salários bem acima do limite previsto pelas regras

Por Vinícius Rocha
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Denúncias envolvem o curso de medicina da Ufal - Foto: Renner Boldrino/ Ascom Ufal

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) e registrada na ouvidoria do Governo Federal, por meio do sistema Fala BR, levanta suspeitas de fraudes no sistema de cotas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O caso envolve candidatos que teriam se matriculado no curso de Medicina, em Maceió, utilizando vagas destinadas a pessoas de baixa renda, mesmo sendo servidores concursados com salários bem acima do limite previsto pelas regras.

Segundo os documentos enviados ao MPF, uma das estudantes é funcionária pública em Pernambuco, com remuneração de aproximadamente R$ 5,5 mil, valor superior ao limite de um salário mínimo per capita permitido. Outro caso apontado é o de um policial civil pernambucano, com salário em torno de R$ 11 mil mensais, que também teria ingressado como cotista de baixa renda.

De acordo com as regras da política de cotas, a ocupação das vagas deve ser feita por pessoas que se enquadram no perfil socioeconômico exigido e a denúncia aponta que a suposta fraude acaba prejudicando candidatos da lista de espera, que de fato atendem aos critérios da política afirmativa.

O caso foi registrado no Fala BR sob o protocolo nº 23546.097431/2025-85 e formalizado no MPF sob o nº 20250065150/2025 – autuação 1.11.000.001270/2025-65.

A Francês News tenta contato com a UFAL e o Ministério Público para acompanhar o caso. Em respostas publicadas pelo blog Política na Pauta, do portal Já É Notícia, a Ufal confirmou a abertura de processo administrativo para investigar as possíveis irregularidades. Segundo a publicação, não há, no entanto, prazo para a conclusão da análise. A Comissão Permanente do Vestibular (Copeve) informou que a decisão caberá à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd).

A demora no posicionamento da instituição preocupa estudantes que aguardam na lista de espera. O prazo de resposta da manifestação no sistema Fala BR foi prorrogado para 30 de outubro de 2025, impactando diretamente estudantes que anseiam pela vaga, já que o semestre letivo tem início no próximo dia 6 de outubro.