31 de julho de 2025
Audiovisual

Petrobras anuncia investimento de R$ 100 milhões no audiovisual brasileiro até 2027

Ao longo das últimas três décadas, a Petrobras patrocinou mais de 600 produções brasileiras

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o-ultimo-azul-rodrigo-santoro-denise-weinberg_copiar (1).webp - Foto: Foto: Guilhermo Garza/Desvia/Divulgação

Em comemoração aos 30 anos da retomada do cinema brasileiro, a Petrobras anunciou, na última quinta-feira (3), um investimento de R$ 100 milhões no setor audiovisual até 2027. O anúncio foi feito durante uma cerimônia realizada na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), reunindo artistas, produtores e profissionais do setor.

O novo aporte será destinado à produção e distribuição de filmes e séries, manutenção de salas de exibição e ao patrocínio de festivais nacionais como o Festival de Gramado (RS), a Mostra de Tiradentes (MG), o Bonito Cine Sur (MS) e a Mostra de Gostoso (RN). Segundo Milton Bittencourt, gerente de patrocínios culturais da Petrobras, o objetivo é claro: “Nosso compromisso é fortalecer o cinema brasileiro, garantindo que ele continue a contar as histórias do país, dialogando com o presente e projetando o futuro.”

A celebração também marcou os 30 anos da chamada “retomada” do cinema nacional, simbolizada pelo lançamento do filme Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995), dirigido por Carla Camurati. A obra marcou o reencontro do público com as salas de cinema, após um período de estagnação provocado pelo fim da Embrafilme e pela falta de políticas públicas no setor audiovisual.

Durante o evento, foi realizada a mesa “Petrobras e Cinema Brasileiro: 30 anos de história”, com a presença do ator Rodrigo Santoro, do produtor Flávio R. Tambellini, da distribuidora Silvia Cruz, e do gerente Milton Bittencourt. A mediação foi feita pela cineasta e apresentadora Marina Person.

Ao longo das últimas três décadas, a Petrobras patrocinou mais de 600 produções brasileiras, entre longas, curtas e documentários. Estão entre elas títulos marcantes como Cidade de Deus, Tieta do Agreste, O Quatrilho, Carandiru, Bacurau e o recente O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, premiado no Festival de Cannes e escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar.

A importância do patrocínio cultural também foi destacada no encontro. Marina Person ressaltou que os 30 anos de história do cinema nacional só foram possíveis graças a investimentos consistentes como os da Petrobras, que ajudam a preservar a identidade cultural do país.

Rodrigo Santoro compartilhou sua ligação pessoal com a estatal seu pai trabalhou na empresa por décadas e relembrou o início de sua carreira no filme Bicho de Sete Cabeças (2001). O ator também saiu em defesa dos mecanismos de incentivo cultural, como a Lei Rouanet, criticando o preconceito e o estigma que muitas vezes cercam esse tipo de apoio: “Sem esse fomento, muitos dos filmes que hoje celebramos jamais teriam existido.”

A distribuidora Silvia Cruz, da Vitrine Filmes, ressaltou o impacto da iniciativa Sessão Vitrine Petrobras, que leva filmes nacionais a mais de 20 cidades brasileiras, com ingressos a preços populares. “É uma iniciativa que democratiza o acesso. Graças a esse apoio, conseguimos distribuir tanto lançamentos quanto obras restauradas, alcançando públicos que, de outra forma, não teriam contato com esses filmes”, afirmou.

O produtor Flávio Tambellini destacou a importância do patrocínio da Petrobras na realização do longa Malês, dirigido e protagonizado por Antonio Pitanga. O projeto levou mais de duas décadas para sair do papel e trata da história da resistência negra no Brasil. “Foi um processo longo e desafiador. O apoio da Petrobras foi essencial para tornar essa obra uma realidade. É um filme histórico e necessário”, concluiu.

O evento reafirmou o papel estratégico da Petrobras no fomento à cultura brasileira e destacou como o investimento em cinema contribui para preservar memórias, promover a diversidade e fortalecer a identidade nacional.