Nova tabela do Imposto de Renda: isenção até R$ 5 mil traz alívio fiscal para 15,5 milhões de trabalhadores
Projeto aprovado na Câmara reduz impostos da classe média e taxa super-ricos; medida pode injetar R$ 25 bi na economia a partir de 2026
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Especialistas e representantes de trabalhadores e empresários comemoram a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que redefine as faixas do Imposto de Renda para pessoas físicas. A proposta isenta trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais e reduz a carga tributária para assalariados com rendimentos de até R$ 7.350.
O PL 1087/25, aprovado por unanimidade na quarta-feira (1º), segue para o Senado e pode vigorar a partir de janeiro de 2026 se todo o trâmite for concluído ainda este ano. A medida beneficiará diretamente 15,5 milhões de pessoas, com renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões.
Para o presidente da CUT, Sérgio Nobre, a aprovação representa "um passo gigantesco" para a classe trabalhadora. "Para muitas categorias, isso vai representar um mês a mais de salário", comparou, referindo-se ao impacto do benefício.
Segundo cálculos do Ipea, a classe média baixa terá um respiro mensal entre R$ 350 e R$ 550 em média. Um trabalhador que recebe R$ 5 mil, por exemplo, terá um alívio de R$ 312,89 mensais. Quem ganha R$ 6,5 mil terá R$ 113,18 a mais no contracheque.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo destaca o caráter distributivo da medida. "O propósito principal é interferir na distribuição de renda, que, se deixada à própria sorte, vai ampliar a desigualdade", avalia.
Para compensar a renúncia, o projeto institui cobrança adicional para quem tem rendimento tributável acima de R$ 600 mil anuais - afetando aproximadamente 141,4 mil contribuintes de alta renda. Atualmente, esse grupo paga em média 2,5% de IR sobre seus rendimentos totais, enquanto trabalhadores em geral pagam entre 9% e 11%.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, vê na medida um incentivo à demanda, mas alerta para possíveis pressões inflacionárias: "Pessoas nessa faixa de rendimento tendem a ter uma propensão a consumir maior".
Já a CNC manifestou preocupação com o financiamento da medida, defendendo que a ampliação da isenção não deve "aumentar a carga tributária sobre o setor produtivo".
A expectativa geral é de que o maior poder de compra da população injete recursos na economia, estimule o consumo e ajude na redução do endividamento familiar, criando um ciclo virtuoso de crescimento com distribuição de renda.