Governo articula Plano Brasil Soberano para proteger exportações dos EUA e abrir novos mercados
MP 1.309/2025 busca amenizar impacto das tarifas de Trump com financiamento, seguro de crédito e diversificação comercial
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Em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, o governo federal articula o Plano Brasil Soberano, que pretende abrir novos mercados internacionais e proteger os exportadores brasileiros. A Medida Provisória 1.309/2025, que institui o plano, foi tema de debate em comissão mista do Congresso nessa quarta-feira (1º), com participação de representantes de ministérios, bancos públicos e agências de fomento.
A MP traz como principais instrumentos a reestruturação do seguro de crédito à exportação, a abertura de linhas de financiamento para setores afetados e o estímulo à diversificação de mercados. O objetivo é reduzir a dependência do mercado norte-americano e oferecer alternativas a setores penalizados pela guerra comercial.
Mapeamento de setores e mercados alternativos
Ulisses Pimenta, coordenador de análise de mercado da ApexBrasil, apresentou um diagnóstico dos setores e regiões mais impactados pelas tarifas dos EUA. Segundo ele, a agência já atua na identificação de compradores em outros países.
– Só deste abril pra cá, foram mais de 44 ações, com oportunidades de negociação envolvendo mais de 160 empresas e compradores de mais de 50 países – afirmou Pimenta, citando o programa Exporta Mais Brasil como uma das frentes para aproximar pequenos e médios empresários do comércio exterior.
Questionado se os produtos antes vendidos aos EUA já foram realocados, Pimenta reconheceu que o processo de inserção internacional “ainda levará um certo tempo”, mas afirmou que a absorção será gradual.
Mais agilidade no crédito e seguro
Rodrigo Zerbone Loureiro, secretário-executivo da Camex, destacou que a MP traz “mecanismos reais” para tornar o seguro de crédito às exportações mais ágil e efetivo.
– A medida permite um fundo privado atuando em parceria com o fundo público, agilizando a concessão e a indenização – explicou.
Diversificação como estratégia central
O embaixador Philip Fox, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, ressaltou que a diversificação de mercados é “um dos eixos centrais” do plano. Entre as prioridades diplomáticas citadas está a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
A comissão, presidida pelo deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) e relatada pelo senador Fernando Farias (MDB-AL), ouviu também representantes do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil, que detalharam operações de apoio financeiro a exportadores.
A MP 1.309/2025 segue em análise no Congresso e ainda precisa ser votada pela comissão mista e depois pelos plenários da Câmara e do Senado.