31 de julho de 2025
Estudo

Cientistas criam óvulos a partir de células da pele humana

Apesar do avanço, os embriões formados apresentaram anomalias cromossômicas

Por Redação
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Técnica utilizada é conhecida como transferência nuclear de células somáticas - Foto: Foto: Freepik

Pesquisadores da Universidade Oregon Health & Science (OHSU), nos Estados Unidos, deram um passo inédito na ciência ao transformar núcleos de células da pele humana em óvulos capazes de originar embriões iniciais. O estudo, publicado nesta terça-feira (30/9) na revista Nature Communications, representa uma importante prova de conceito no campo da fertilização.

A técnica utilizada é conhecida como transferência nuclear de células somáticas. Nela, o núcleo de uma célula da pele que contém 46 cromossomos é inserido em um óvulo doador previamente esvaziado de seu núcleo. Para ajustar o número de cromossomos ao necessário para a fecundação (23), os cientistas induziram uma divisão celular artificial semelhante à meiose, batizada de mitomeiose.

Apesar do avanço, os embriões formados apresentaram anomalias cromossômicas, como número incorreto de cromossomos e erros de emparelhamento genético, impedindo qualquer chance de gerar uma gestação saudável neste estágio da pesquisa.

Os cientistas ressaltam que os estudos ainda estão em fase inicial e não têm aplicação clínica imediata. Será necessário superar diversos desafios técnicos, como aumentar a taxa de sucesso, corrigir instabilidades genéticas e garantir total segurança antes que a técnica possa ser usada na reprodução assistida.

Se essas barreiras forem vencidas, a descoberta poderá abrir novas possibilidades para mulheres com infertilidade severa e até, no futuro, permitir que casais do mesmo sexo gerem embriões com material genético de ambos os parceiros.

Ainda assim, especialistas alertam: a jornada até uma possível aplicação real envolve muitos anos de pesquisa, além de amplos debates éticos e regulamentação adequada.